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HPB com seu Filho Yury (1858
a 1867)
Marina Cesar Sisson
(Artigo publicado originalmente no Informativo HPB n0
20, maio/2002)

O período da vida de Helena Petrovna Blavatsky (HPB) entre 1858
e 1867 é um período bastante velado e obscuro. É uma
época com poucas referências na literatura e muitas incoerências,
geralmente introduzidas pela própria HPB, que não queria
falar sobre esses anos.
Em janeiro de 1859, após vários anos de ausência,
HPB reencontrou sua família na Rússia. Na primavera de 1860,
depois de ter passado cerca de um ano com o pai, ela partiu com a irmã,
Vera, para ver os avós no Cáucaso. HPB morou nessa região
até 1865 ou 1866.
A pedido da própria Madame Blavatsky, tanto sua irmã Vera,
quanto Sinnett, seu primeiro biógrafo, ocultaram que nesse período
no Cáucaso, ela reencontrou Nikifor, seu primeiro marido entre 1861-62
e, reconciliada, morou com ele sob o mesmo teto por cerca de um ano. Além
disso, assumiram juntos a guarda de um menino chamado Yury.
Pouco antes do retorno de HPB à Rússia, sua tia havia
escrito para Nikifor, para saber como ele reagiria diante do retorno de
HPB. Ele lhe respondeu em 13 de novembro de 1858:
"Até agora não sabia nada sobre o retorno de HP [Helena
Petrovna] para a Rússia. Para lhe dizer a verdade, há muito
tempo isso já deixou de me interessar. O tempo atenua tudo, até
mesmo cada lembrança. Você pode garantir a HP, sob minha palavra
de honra, que eu nunca a perseguirei. Desejo ardentemente que nosso casamento
possa ser anulado e que ela possa casar-se novamente." (Beechey,
295)
Pela resposta de Nikifor para a tia de HPB, vemos que a família
já sabia que ela estava para retornar. Vera afirma que a família
havia ficado sem notícias por oito anos, isto é, quase dois
anos antes de encerrar o período necessário para uma separação
legal de Nikifor, que era de dez anos. Em 6 de janeiro de 1859, noite em
que o Cristianismo Ortodoxo russo comemora o Natal, Vera relata que "ainda
por algumas semanas não estávamos esperando que ela chegasse,
mas, curiosamente, assim que ouvi tocar o sino da porta, levantei-me, sabendo
que ela havia chegado." (Zhelihovsky)
O que teria levado HPB para junto de seus familiares, após um
longo período de independência, viajando pelo mundo? Como
veremos, talvez um dos principais motivos seja a criança chamada
Yury.
Não Posso Contar a Verdade
sobre Yury
As circunstâncias sob as quais HPB tornou-se mãe de Yury
permanecem envoltas em mistério. Ela afirma ter feito isso para
proteger a honra da mãe verdadeira, que seria uma pessoa conhecida
tanto de sua irmã quanto de sua tia. (Neff, 182). Em 1885,
HPB contou para Solovyoff que:
"ela quis salvar a honra de uma amiga e adotou o filho dessa amiga
como seu próprio filho. Ela nunca se separou dele, educou-o ela
mesma e o chamava de filho diante do mundo. Agora ele estava morto." (Solovyoff,
141)
A existência dessa criança é pouco conhecida nos meios
teosóficos porque a própria HPB, na época acusada
por seus inimigos de ser a mãe biológica da criança,
pediu a Sinnett que não mencionasse nada a esse respeito na biografia
que estava escrevendo pois, mesmo que quisesse, ela não teria permissão
para contar a verdade:
"Agora, devo eu, na ilusória esperança de me justificar,
começar a exumar esses vários cadáveres a mãe
da criança, Metrovitch, sua esposa, a própria pobre criança
e todos os demais? NUNCA. Isso seria tão mesquinho
e sacrílego quanto inútil. Eu lhe digo, deixe os mortos
dormirem. Temos bastante sombras vingativas à nossa volta
Walter Gebhard, a mais recente. Não toque neles, pois você
apenas faria com que repartissem os tapas na cara e os insultos que estou
recebendo, mas não teria sucesso em me proteger de qualquer modo.
Não quero mentir, mas não tenho permissão para contar
a verdade. O que faremos, o que podemos fazer? Toda a minha vida, exceto
as semanas e meses que passei com os Mestres, no Egito ou no Tibet, está
tão inextricavelmente cheia de eventos, cujos segredos e verdadeira
realidade diz respeito aos mortos e aos vivos, sendo eu responsável
apenas por suas aparências externas, que para me defender teria que
pisar sobre uma hecatombe de mortos e cobrir de lama os vivos. Eu não
farei isso." (LBS-60, 144)
Na carta seguinte para Sinnett ela reforça o pedido de que ele nada
mencionasse a respeito da criança:
""O incidente de adoção da criança!" Prefiro
ser enforcada a mencioná-lo. Mesmo omitindo nomes, você
sabe a que isso levaria? A uma furacão de lama jogado sobre mim.
(...) Bem, meu caro Sr. Sinnett se for para me arruinar (embora isso quase
seja impossível agora) então mencione esse "incidente". Meu
conselho e pedido é que não mencione nada. Fiz demais no
sentido de provar e jurar que era meu e passei dos limites. O atestado
médico não servirá para nada. A pessoas dirão
que compramos ou subornamos o médico. Isso é tudo." (LBS-61,
151)
Atestados Médicos: Provas
que HPB não Era a Mãe?
O atestado médico a que HPB ser refere na carta acima havia sido
dado pelo Dr. Leon Oppenheimer, a quem ela fora consultar em Würzburg,
devido a um problema de bexiga. Está datado de 3 de novembro de
1885, e diz:
"O abaixo assinado atesta, como solicitado, que Madame Blavatsky de
Bombay Secretária Correspondente em Nova Iorque da Sociedade Teosófica
está atualmente sob tratamento médico com o abaixo assinado.
Ela sofre de Anteflexio Uteri, muito provavelmente desde
o nascimento; porque, como provado por um minucioso exame, ela nunca gerou
uma criança, nem teve qualquer doença ginecológica."
(Fuller, 189)
O atestado pretendia ser uma prova que eliminasse as dúvidas que
pairavam sobre Yury ser ou não seu filho biológico. Porém,
como Meade corretamente ressaltou, Anteflexio Uteri significa apenas
que o útero está inclinado para a frente ou para o lado,
fato que não é incomum e que não impede uma gravidez.
Além disso, uma mulher aos 54 anos de idade, em pós menopausa,
certamente apresenta o útero encolhido e dificilmente um exame poderia
revelar se ela já havia ou não ficado grávida. (Meade,
357-358) Portanto, o atestado do Dr. Oppenheimer não era conclusivo
sobre HPB ser ou não a mãe biológica de Yury.
O atestado também era deficiente para a defesa de HPB porque
não dizia claramente que ela era virgem, pois o termo "doença
ginecológica" era bastante vago. Então, a pedido da Condessa
Wachtmeister, que na época morava com HPB, o Dr. Oppenheimer emitiu
um segundo atestado, que dizia: "Certifico que Madame Blavatsky nunca
esteve grávida e, consequentemente, nunca poderia ter gerado uma
criança." (Neff, 187) Junto com esse segundo certificado
há uma carta da Condessa, de 10 de fevereiro de 1886, provavelmente
para Olcott, onde ela explica:
"Veja que a palavra grávida engloba todos os sentidos,
pois sem estar grávida ela não poderia ter tido um aborto,
nem uma criança. O primeiro atestado foi mal traduzido. No original
em posse do Sr. Sinnett, a palavra aborto foi traduzida por "doença
de mulheres". O doutor então me disse que, embora nenhum médico
possa atestar positivamente se uma mulher viveu ou não com seu marido,
uma vez que a virgindade pode ter sido perdida por uma queda ou exercício
forte, segundo suas melhores luzes, Madame Blavatsky não viveu com
um homem". (Neff, 188)
Na verdade o médico não podia atestar que HPB era virgem
pelo simples fato de que ela não o era, como a própria HPB
explica numa carta encontrada nos Arquivos em Adyar, junto com o
segundo certificado. É uma única folha, numerada como folha
quatro. Aparentemente é uma carta de HPB para Sinnett, na qual ela
conta, com seu costumeiro exagero, que "todas as suas entranhas, útero
e tudo" haviam saído de seu corpo devido a uma queda, causando
a perda da virgindade:
"aqui está seu estúpido atestado novo, com seus sonhos
de virgo intacta numa mulher que teve todas as suas entranhas postas
para fora, útero e tudo, devido à queda de um cavalo. E de
novo o doutor olhou, examinou três vezes, e disse o que o
Professor Bodkin e Pirogoff disseram em Pskoff, em 1862. Eu nunca poderia
ter tido relações com qualquer homem sem uma inflamação,
porque me falta algo e o lugar está preenchido com algum pepino
torto." (Neff, 187)
O exame pelo Professor Bodkin e Pirogoff, em Pskov, não deve ter
sido feito em 1862 pois nessa época, como veremos, ela estava no
Cáucaso. Esse exame deve ter sido realizado em 1859. Provavelmente
seja a ele que HPB está se referindo quando conta para Sinnett sobre
as desconfianças que seu pai tinha quanto a ela ser a mãe
de Yury:
"Quando lhe contei que até mesmo meu próprio pai suspeitava
de mim e que, não fosse pelo atestado médico, talvez nunca
tivesse me perdoado. Depois, ele teve pena e afeiçoou-se àquela
pobre criança inválida. Ao ler esse livro Home, o médium,
seria o primeiro a reunir o remanescente de suas forças e me denunciar,
dando nomes, fatos e não sei mais o que." (LBS-61, 151)
É interessante observarmos que desde seu retorno HPB apenas conviveu
com seu pai logo que chegou em Pskov, em São Petersburgo e em Rougodevo.
Isto é, do início de 1859 até a primavera de 1860,
quando partiu com sua irmã para Tiflis. Isso implica que ela já
deve ter chegado, no início de 1859, com Yury. Assim sendo, é
provável que devido às desconfianças de seu pai com
relação à maternidade de Yury ela, ainda em Pskov,
tenha se submetido ao exame médico pelo Professor Bodkin e Pirogoff.
É verdade que existe um passaporte, de agosto de 1862, onde Nikifor
pede autorização para que ela e Yury viajassem para as "províncias
de Tauris, Cherson e Pskov pelo período de um ano." (CW
I, xlvi) Assim ela poderia ter ido a Pskov em 1862 e ter feito o exame
nessa época. Mas não existe nenhum registro dessa viagem
e sua irmã Vera diz que, após terem ido para o Cáucaso
na primavera de 1860: "Madame Blavatsky morou em Tiflis por menos de
dois anos e não mais do que três na região do Cáucaso.
O último ano ela passou viajando pela região Imeretia, Georgia,
Mingrelia e ao longo da costa do Mar Negro." (Sinnett, 143)
Além disso, outra referência que reforça a hipótese
aqui defendida de que HPB já estava com Yury quando reencontrou
sua família, é de autoria da própria Madame Blavatsky.
Numa carta para Solovyoff, que ela intitulou de "minha confissão",
HPB dá o ano de 1858 como o início dos rumores sobre a criança
e seus amantes:
"Em 1858 eu estava em Londres; lá surgiu uma história
sobre uma criança, que não é minha (...). Uma e outra
coisa foram ditas a meu respeito; que eu era depravada, possuída
por um demônio, etc. Eu direi tudo que julgar conveniente, tudo que
fiz, durante os vinte anos ou mais nos quais dei risada do quen dira-t-on
[o que vão dizer], e encobri todos os traços daquilo
em que estava realmente ocupada, i.e., as ciências
ocultas, pelo bem de minha família e parentes que na época
teriam me amaldiçoado. Eu contarei como, desde meus dezoito anos,
tentei fazer com que as pessoas falassem de mim, e dissessem que esse e
aquele homem eram meus amantes, e centenas deles." (Solovyoff,
178)
Agardi Metrovitch: Pai de Yury?
Embora HPB tenha guardado segredo sobre quem era a mãe de Yury,
ela declara que o pai era o Barão Nikolai Meyendorff, da Estônia.
No entanto, para alguns biógrafos como Marion Meade, que consideram
Yury como filho biológico de HPB, o pai seria o seu velho, Agardi
Metrovitch. Isso porque havia um falatório de que eles eram amantes
e também porque Metrovitch esteve em Tiflis durante a época
em que HPB lá estava, em 1863. (LBS-78, 189)
Contudo, se nossa hipótese for correta, de que Yury já
estava com HPB desde seu retorno em 1859, o fato de HPB ter encontrado
com Metrovitch em Tiflis em nada reforça a hipótese dele
ser o pai. Além disso, o passaporte emitido a pedido de Nikifor,
dando autorização para Yury viajar com HPB, é de agosto
de 1862. Por isso mesmo, a própria Meade dá como época
para o nascimento de Yury o final de 1861 ou início de 1862. Mas
se HPB só encontrou com Metrovitch em Tiflis, em 1863, como ele
poderia ser o pai?
HPB realmente foi grande amiga de Metrovitch por muitos anos. Ele era
seu "mais fiel e devotado amigo desde 1850" (LBS-78, 189),
quando ela o ajudou a escapar dos austríacos: "Com a ajuda da
Condessa Kisselev, eu o salvei das prisões da Áustria"
(LBS-78, 189).
Como já vimos no Inf. HPB 10, Madame Blavatsky atribui
a propagação do falatório de que Metrovitch era seu
amante a Emma Coulomb. Isso porque, quando estavam juntas no Cairo em 1873,
ela presenciou os cuidados especiais que HPB dispensou a Metrovitch e:
"começou a bisbilhotar e me incomodar para eu lhe dizer se
era verdade o que as pessoas diziam de mim que eu era secretamente
casada com ele, e suponho que ela não ousava dizer o que as pessoas
acreditavam, muito caridosamente: que ele era algo pior que um marido.
Eu mandei ela pastar e lhe disse que as pessoas podiam acreditar e dizer
o que quisessem, pois eu não ligava. Esse é o germe
de todo o falatório posterior. (...) quanto à conversa suja
a meu respeito, eu estava acostumada a isso e apenas lamentava que a reputação
não correspondesse aos fatos avoir le reputation sans en avoir
les plaisirs [ter a reputação sem ter os prazeres]
(se algum) tem sido sempre o meu destino." (LBS-78, 190)
Nathalie Blavatsky: Mãe
de Yury?
Além de contar para Sinnett que Yury era filho do Barão
de Meyendorff, Madame Blavatsky lhe fala de uma certa Nathalie Blavatsky,
que teria tido um romance com Meyendorff, dando a entender que essa Nathalie
seria a mãe de Yury:
"Você diz: "Assim, por exemplo, devemos trazer tudo daquele
incidente Metrovitch." Eu digo, não devemos. Essas
Memórias não trarão minha defesa
(...) simplesmente porque "Metrovitch" é apenas um dos muitos incidentes
que o inimigo joga na minha cabeça. Se eu tocar nesse "incidente"
e me defender plenamente, um Solovyoff, ou algum outro salafrário
trará Meyendorf e "o incidente das três crianças."
E se eu publicasse suas cartas (que estão em posse de Olcott) dirigidas
para sua "querida Nathalie" em que ele fala de seu cabelo negro como o
corvo, "Longs comme un beau manteau de roi," [longos como um
belo manto de rei] (...) então eu estaria simplesmente dando
um tapa na cara de uma mártir morta, e fazendo surgir uma sombra
conveniente sobre mais alguém da longa galeria de meus supostos
amantes." (LBS-60, 143)
Por que essas cartas estavam com Olcott é algo difícil de
entender, mas deve ser a elas que Olcott está se referindo quando
escreve que:
"durante anos tive em minha posse um maço de cartas antigas
que provavam a sua inocência [de HPB], com relação
a uma determinada falta grave da qual ela havia sido acusada, enquanto
que deliberadamente sacrificou sua própria reputação
para salvar a honra de uma jovem senhora que havia caído em desgraça."
(ODL II, 135)
Jean O. Fuller levanta a hipótese de que Nathalie Blavatsky seria
uma irmã solteira de Nikifor e que esse teria sido um dos motivos
de sua boa vontade e aceitação de Yury. Seja lá quem
for, a reputação de Nathalie não era das melhores
pois, em seu Scrapbook, HPB comenta que o famoso médium D.D
Home com certeza "reuniu com o maior cuidado os falatórios mais
sujos a respeito de Nathalie Blavatsky". (CW I, 204).
É bom lembrar que a reputação da própria
HPB também não era nada boa, uma vez que ela mesma fazia
com que as pessoas inventassem falatórios "sujos" a seu respeito:
"desde meus dezoito anos, tentei fazer com que as pessoas falassem de
mim, e dissessem que esse e aquele homem eram meus amantes, e centenas
deles." (Solovyoff, 178)
Essa não é a única referência sobre o passado
"sujo" de HPB. Numa carta escrita em 14 de novembro de 1874 para Aksakoff,
HPB também fala de seu passado de um modo que dá a entender
que sua juventude realmente estava sujeita a muitos falatórios.
"Amor livre" era a expressão designada na época para as
pessoas que moravam juntas sem serem casadas. Aksakoff havia escrito uma
carta em francês para Andrew Jackson Davis, onde comentava que embora
tivesse ouvido falar que HPB era uma médium bastante poderosa, "infelizmente
suas comunicações se ressentem de sua moral, que não
tem sido das mais severas". (Solovyoff, 227) Como A.J. Davis
não entendia bem o francês, havia pedido para a própria
HPB lhe traduzir a carta de Aksakoff. Sabendo do comentário a seu
respeito, HPB lhe escreve comentando o trecho onde ele falava sobre sua
moral:
"Quem quer que seja que lhe contou sobre mim, lhe falou a verdade,
em essência, se não nos detalhes. Só Deus sabe o quanto
tenho sofrido por meu passado. É claramente meu destino não
receber absolvição na terra. Esse passado, como a mancha
da maldição sobre Caim, tem me perseguido toda a minha vida
e me persegue até mesmo aqui, na América [EUA], para onde
vim para estar longe dele e das pessoas que me conheceram em minha juventude.
(...) Tenho um pedido para lhe fazer: Não me prive da boa opinião
de Andrew J. Davis. Não lhe revele aquilo que, se ele souber e estiver
convencido disso, me forçaria a escapar para os confins da terra.
Tenho apenas mais um refúgio no mundo, que é o respeito dos
espíritas da América, que desprezam o amor livre mais do
que qualquer outra coisa." (Solovyoff, 228-230)
Sua tia Nadya contou para Sinnett que Nathalie era um dos muitos nomes
com que confundiam Madame Blavatsky. Embora HPB tivesse passado várias
vezes pela Europa, ela nunca teria morado lá. Por isso:
"seu amigos ficaram tão surpresos quanto pesarosos ao ler,
anos depois, fragmentos de sua suposta biografia, que a mencionavam como
uma pessoa bem conhecida tanto na alta quanto na baixa sociedade
de Viena, Berlim, Varsóvia e Paris, e relacionavam seu nome com
eventos e histórias que teriam acontecido nessas cidades, em várias
épocas, quando seus amigos tinham todas as provas possíveis
de que ela estava longe da Europa. Essas histórias se referiam a
ela indistintamente por nomes como Julie, Nathalie etc., que eram realmente
nomes de outras pessoas com o mesmo sobrenome; e atribuíam a ela
várias aventuras extravagantes." (Sinnett, 73)
O antigo companheiro das primeiras viagens de HPB (Inf. HPB 5),
Albert Rawson, aparentemente conheceu Nathalie Blavatsky. Ele refere-se
a ela como sendo uma senhora muito conhecida no Cairo, que teria morrido
em 1868, na residência de um amigo, próxima a Aden. Rawson
também afirma que a Sra. Lydia Paschkoff havia conhecido as duas
Blavatskys: Nathalie e Helena. (Rawson, 27-28)
Barão Meyendorff: Pai de Yury?
Em carta a Sinnett, HPB escreve que Solovyoff lhe disse que encontrou
com Meyendorff, o qual teria lhe confessado que foi muito apaixonado por
HPB e que Yury era filho deles:
"Ele diz que ele (S.) [Solovyoff] encontrou pessoalmente com o Barão
Meyendorf, que lhe confessou que esteve tão apaixonado por mim
(!!) que havia até mesmo insistido para que eu obtivesse o divórcio
do velho Blavats. e me casasse com ele, Barão Meyendorf. Mas que
felizmente eu recusei isso, e ele ficou muito feliz porque descobriu mais
tarde que mulher sem honra, LICENCIOSA
eu era, e que a criança era SUA E MINHA!!!
E o atestado do médico de que nunca dei à luz, não
apenas a uma criança, mas nem mesmo a uma doninha? Agora ele [S.]
mente, estou certa, pois sendo covarde e fraco como sei que é Meyendorf,
ele nunca poderia ter-lhe dito uma coisa dessas." (LBS-89, 207)
Um biógrafo hostil a Madame Blavatsky, Bechhofer Roberts, afirmou
que conversando com uma cunhada do Barão Meyendorff, essa teria
lhe contado que ele era um espírita entusiasmado, amigo do médium
Daniel Douglas Home, e que o Barão:
"caiu sob a influência de HPB após o retorno dela para
Rússia, em 1858, e começou um caso com ela. Ela deu à
luz um filho, que garantiu ao Barão ser dele. Ele e seu irmão
duvidaram dessa afirmação provavelmente suspeitando que
Metrovitch fosse o pai mas assumiram o sustento da criança, que
era doente e um corcunda." (Fuller, 55)
A Baronesa Meyendorff também contou para Bechhofer que haviam preservado
na residência deles na Estônia, várias fotos de HPB
com a criança. Infelizmente as fotos foram depois destruídas
pelos bolchevistas.
Seja Yury adotado por HPB ou seu filho natural, a época em que
a Baronesa Meyendorff situa seu nascimento 1858 reforça nossa
hipótese de que quando HPB reencontrou seus familiares, em janeiro
de 1859, ela já estava com Yury.
Como já vimos, a menção de HPB à reação
de seu pai, também induz à mesma conclusão, uma vez
que dá a impressão de que ele primeiro desconfiou que HPB
fosse a mãe, levando-a a fazer o exame médico em Pskov, com
o professor Bodkin e Pirogoff. Ele aceitou o atestado, e então tiveram
um período de convivência: "Depois, ele teve pena e afeiçoou-se
àquela pobre criança inválida." (LBS-61,
151) E o único período certo que HPB conviveu com o pai foi
desde sua chegada até a primavera de 1860 quando partiu para o Cáucaso.
Sua reação de desconfiança seria bastante natural
se, após quase dez anos de ausência, visse a filha retornando
com uma criança pequena nos braços.
Assim, é bastante provável que sua resolução
de criar uma criança tenha sido um dos principais motivos que a
levou de volta para a família, encerrando quase dez anos de viagens
pelo mundo, pois seria muito difícil cuidar de uma criança
pequena nessas perambulações.
Rougodevo: Fenômenos e Doença
Misteriosa (1859)
De acordo com sua irmã Vera, logo depois do retorno de HPB, as
duas, acompanhadas pelo pai, foram morar numa casa de campo que seu falecido
marido comprara um ano antes. No caminho, pararam algum tempo em S. Petersburgo,
onde ficaram hospedados num hotel.
A casa ficava numa pequena vila, Rougodevo, próximo a Pskov,
a uns 200 km. de São Petersburgo. (Sinnett,
116) Após se estabelecerem, a família de HPB se viu como
que subitamente transportada para um mundo de magia e de fenômenos,
no qual:
"gradualmente ficamos tão acostumamos a ver a mobília
movendo-se sozinha, a ver coisas sendo transportadas de um lugar para outro,
da maneira mais inexplicável, e a uma forte interferência
e presença em nossas questões cotidianas por algum poder
que nos era desconhecido, mas inteligente, que todos nós acabamos
prestando muito pouca atenção a ele, embora os fatos fenomênicos
impactem a qualquer um por serem simplesmente miraculosos." (Sinnett, 128)
Mesmo o pai de HPB, que antes dizia que poderiam interná-lo num
asilo de loucos se algum dia ele acreditasse que uma mesa poderia se mover
ou voar, agora passava seus dias e parte de suas noites conversando com
os "espíritos de Helena". Eles lhe informaram numerosos eventos
e detalhes das vidas de seus antepassados. (Sinnett, 128)
Mas a tranqüilidade da estadia em Rougodevo foi interrompida por
uma terrível doença de Madame Blavatsky. Uma ferida que ela
já possuía há muitos anos e que a família
não sabia como havia sido adquirida reabriu-se, trazendo-lhe muita
dor, convulsões e um estado de transe em que ela parecia estar morta:
"A doença costumava durar de três a quatro dias, e então
a ferida ficaria curada tão subitamente quanto havia reaberto, como
se uma mão invisível a tivesse fechado, e ali não
sobraria qualquer traço de sua doença. Mas a família,
assustada, inicialmente ignorava essa estranha peculiaridade e seu desespero
e medo era realmente grandes. Um médico foi mandado da cidade vizinha,
mas mostrou ser de pouca utilidade, não tanto devido a sua ignorância
de cirurgias, mas devido a um notável fenômeno que o deixou
quase sem reação, por ter ficado simplesmente aterrorizado
diante do que presenciou. Ele mal havia examinado a ferida da paciente
prostrada diante dele, totalmente inconsciente, quando subitamente viu
uma grande mão escura, entre a sua própria mão e a
ferida que ele ia untar. A ferida aberta ficava perto do coração
e a mão ficou movendo-se vagarosamente, por várias vezes,
do pescoço até a cintura. Para aumentar seu terror, subitamente
começou na sala um barulho tão terrível, uma tal confusão
de barulhos e sons vindos do teto, do chão, das vidraças
e de cada pedaço da mobília do apartamento, que ele implorou
que não fosse deixado a sós no quarto com a paciente inconsciente."
(Sinnett, 134)
No Cáucaso, com Nikifor
e Yury (1860-62)
Na primavera de 1860 as duas irmãs partiram de Rougodevo para
visitar os avós no Cáucaso, a quem Madame Blavatsky não
via há vários anos. Aparentemente a atitude amistosa de Nikifor
para com HPB acabou gerando um novo período de convivência
dos dois, pois entre 1861 e 62, eles voltaram a morar juntos em Tiflis.
A informação é dada pela própria HPB, numa
carta para Dondukoff-Korsakoff, de junho de 1884. Ela escreve: "Foi
em 1861 que retornei a Tiflis e que Blavatsky e eu estávamos reconciliados
e que morei por um ano na mesma casa que ele". (HPBS II, 152)
E numa petição anexa à carta ela também dá
o endereço:
"Então, na segunda vez que vim para Tiflis, para ver meu parente,
o Conselheiro André Mihailovich Fadeyev [seu avô], em 1860,
e fiquei com ele por cerca de um ano com meu marido Blavatsky (que era
então um Conselheiro de Estado). O endereço era na Avenida
Golovinsky, na casa do Sr. Dobrzhausky."(HPBS II, 156)
Outra evidência dessa reconciliação é o passaporte
já mencionado, emitido para HPB em 23 de agosto de 1862, em Tiflis.
O original encontra-se nos Arquivos de Point Loma. Nele está
escrito que o passaporte foi emitido:
"em atendimento a uma petição apresentada por seu marido,
para efeito de que ela, Madame Blavatsky, acompanhada pela criança
sob guarda deles, Yury, fosse para as províncias de Tauris, Cherson
e Pskov pelo período de um ano." (CW I, xlvi)
Além do passaporte, outra evidência clara da colaboração
de Nikifor com HPB, é uma carta de sua tia Katherine de Witte. HPB
deve ter lhe escrito pedindo dinheiro, pois a tia lhe responde criticando-a
e revelando o auxílio financeiro que Nikifor estava lhe dando:
"Alguém poderia acreditar que você não tem nem
mesmo um kopek, como outras pessoas pobres. E a pessoa ficaria muito
surpresa descobrindo que você recebe 100 rublos todo mês. Porque
eu estou bastante segura que você está recebendo,
com a exceção de um dos meses do inverno, quando Blavatsky
também não recebeu seu salário. Tenho uma carta de
Alek. Fed. [Major Alexander Fyodorovitch von Hahn] na qual ele diz que
enviou minha carta e o dinheiro de Blavatsky para você . . . Isso
aconteceu em julho; agora estamos em agosto e Blavatsky novamente lhe enviou
dinheiro alguns dias atrás, na presença do marido de N."
(Murphet, 51)
Desenvolvimento de Poderes Psíquicos
(1865)
Nesses anos em que morou no Cáucaso, assim como em épocas
posteriores de sua vida, aonde quer que Madame Blavatsky fosse, tinha muitos
amigos, mas os inimigos eram ainda mais numerosos, porque:
"Ela desafiava a todos e não se submetia a nenhuma restrição;
não condescenderia a adotar qualquer método mundano para
aplacar a opinião pública. Ela evitava a sociedade, mostrando
seu desprezo por seus ídolos e era, por isso, tratada como uma perigosa
iconoclasta. Todas as suas simpatias estavam com aquela parte proscrita
da humanidade que a sociedade finge ignorar e evitar, enquanto secretamente
corre atrás de seus mais ou menos renomados membros os necromantes,
os obsedados, os possuídos, e personagens misteriosos desse tipo.
Os nativos Koodiani (mágicos, feiticeiros), os taumaturgistas
persas, os velhos armênios esfarrapados curadores e adivinhos
eram os primeiros que ela geralmente procurava e tomava sob sua proteção."
(Sinnett, 145)
Além disso, seu comportamento em nada convencional para a época,
como cavalgar sozinha pelas florestas, preferindo cabanas sujas aos salões
e às frivolidades da nobreza, também lhe traziam muitos inimigos.
Foi durante esse período que seus poderes ocultos tornaram-se
cada vez mais fortes e ela começou a controlar os fenômenos
com o poder de sua própria vontade. Seus dons fizeram com que todo
o país falasse a seu respeito. A nobreza supersticiosa começou
a considerá-la como uma feiticeira e pessoas vinham de longe para
consultá-la sobre questões particulares.
Há muito que ela deixara de lado as comunicações
através de batidas e preferia responder às pessoas verbalmente
ou escrevendo. Algumas vezes, durante esse processo:
"Madame Blavatsky parecia entrar num tipo de coma, ou sono magnético,
com os olhos bem abertos, embora sua mão nunca parasse de se movimentar
e continuasse a escrever. Quando respondendo, dessa maneira, a questões
mentais, raramente as respostas eram insatisfatórias. Geralmente
elas surpreendiam os inquiridores amigos e inimigos." (Sinnett,
146)
Esse desenvolvimento de seus poderes psíquicos parece estar de algum
modo relacionado a outra doença que ela teve. Isso ocorreu quando
HPB estava morando em Ozurgety, um pequeno posto militar na Mingrelia,
onde havia comprado uma casa. Era um vilarejo perdido entre antigas florestas.
Naqueles dias não havia estradas nem facilidades de transporte,
a não ser os do tipo mais primitivo. Durante a doença, ela
começou a viver uma "vida dupla" que ninguém na Mingrelia
podia compreender. Ela descreve os sintomas:
"Sempre que era chamada pelo nome, abria os olhos quando ouvia o chamado
e era eu mesma, com minha própria personalidade em todos os detalhes.
Mas logo que me deixavam sozinha, no entanto, recaía em minha habitual
condição semi consciente e me tornava uma outra pessoa
(quem era, Madame B. não contará). (...) Quando acordada,
e sendo eu mesma, lembrava-me perfeitamente de quem eu era
no meu segundo papel, e do que tinha sido e estava fazendo." (Sinnett,
147-48)
HPB sofria de uma febre branda que a consumia lentamente, deixando-a completamente
sem apetite. Ela freqüentemente não se alimentava, às
vezes por uma semana inteira, tomando apenas um pouco de água, de
modo que em quatro meses ficou muito magra. (Sinnett, 148)
Por ordens do médico local que não conseguia compreender
seus sintomas, foi levada num bote nativo, pelo rio Rion para Kutais, acompanhada
por quatro serviçais. Sua fraqueza era tal que ficou estendida no
fundo do bote, como morta. Durante três noites consecutivas, enquanto
o pequeno bote andava pelo rio estreito, cercado dos dois lados por florestas
centenárias, seus serviçais morriam de medo, porque juravam
ver a patroa sair do corpo estendido no fundo do barco e ir para as florestas
que margeavam o rio. Por duas vezes o homem que dirigia o barco fugiu aterrorizado.
Graças a um velho serviçal HPB não foi abandonada
no barco e chegou até Kutais. Foi então transportada numa
carruagem até Tiflis, aparentemente quase morta.
Logo depois, entretanto, passou por mais uma de suas súbitas
e inexplicadas curas, embora tenha permanecido convalescente por algum
tempo. Assim que se recuperou, em 1865, deixou o Cáucaso e foi para
a Itália. O fortalecimento e controle de seus poderes psíquicos
está indicado numa carta de HPB para sua família, na qual
ela afirma "não mais ficarei submetida às influências
externas" pois agora [em 1866]:
"Os últimos vestígios da minha fraqueza psicológica
desapareceram para nunca mais voltar. (...) Estou livre e purificada daquela
horrível atração que alimentavam por mim os cascarões
errantes, bem como as afinidades etéreas. Estou livre, livre,
graças àqueles que agora bendigo a todo instante de
minha vida." (Sinnett, 152)
Essa era apenas a conclusão de uma etapa do treinamento e desenvolvimento
de suas capacidades psíquicas. Como já vimos no Informativo
HPB 4, em junho de 1875, quando estava casada com Betanelly e morando
em Filadélfia, Madame Blavatsky passou por uma "vida dupla" semelhante
à vivida na Mingrelia. Ela relata:
"Várias vezes por dia sinto que além de mim há
alguém mais, bem distinguível de mim, presente em meu corpo.
Eu nunca perco a consciência de minha própria personalidade;
o que sinto é como se eu estivesse me mantendo quieta e o outro
o hóspede que está em mim estivesse falando com a minha
língua. (...) Isso não é mediunidade e de modo algum
é um poder impuro; pois isso tem uma ascendência forte demais
sobre todos nós, nos conduzindo a um melhor estado de ser. Nenhum
diabo agiria dessa maneira. Espíritos, talvez? Mas se admitíssemos
essa hipótese, como explicar que meus antigos espectros não
ousam mais se aproximar de mim? Basta que eu entre numa sala onde está
sendo realizada uma sessão para parar todos os tipos de fenômenos
imediatamente, especialmente as materializações. Ah não,
isso é de uma ordem totalmente superior! Mas fenômenos de
uma outra espécie ocorrem mais e mais freqüentemente sob a
direção de meu No. 2." (Letters of HP Blavatsky, Letter
I)
Assim como após a doença no Cáucaso HPB aprendeu a
submeter à sua vontade as influências externas, quaisquer
que fossem, em Filadélfia algo análogo também ocorreu.
Após o período em que ela viveu uma "vida dupla" veio a aquisição
novas capacidades psíquicas, como a clarividência:
"Atualmente, por exemplo, a natureza me dotou muito generosamente
com a segunda visão, ou dons clarividentes,
e eu geralmente posso ver o que eu estiver ansiando ver" (HPBS
I, 87)
Nessa época ela também aprendeu, com o auxílio de
seu Sahib "John King" Mestre Hillarion (Inf. HPB 5) a
sair de seu corpo:
"Primeiro me parecia que ele me empurrava para fora de meu corpo,
mas logo me acostumei a isso e agora, durante os momentos de sua presença
em mim, parece apenas (para mim) que estou vivendo uma vida
dupla. (...) Somente agora estou aprendendo a sair de meu corpo; tenho
medo de faze-lo sozinha, mas com ele não tenho medo de nada." (HPBS
I, 224-5)
De acordo com a própria HPB, o ano de 1865 foi um marco tão
importante em sua vida, que em 1882 ela escreve para Dondukoff-Korsakoff
existirem duas Blavatskys: uma anterior a 1865 e outra posterior. Embora
pudéssemos pensar que essa mudança profunda seja indicativa
de uma grande alteração oculta na vida de HPB, o contexto
da carta mostra que a grande diferença foi uma mudança da
crença cristã em que fora criada para a crença budista:
"Não tenho nada a esconder. Entre a Blavatsky de 1845-65 e
a Blavatsky dos anos 1865-82 há um abismo intransponível.
Se a última tenta extinguir a primeira, é mais em consideração
à honra humana do que por sua própria honra pessoal. Entre
a primeira e a última há o Cristo e todos Anjos celestiais
e a Virgem Sagrada, e relacionado com a última há o Buddha
e o Nirvana (...) Com relação à última, ela
se sacrifica, pois a primeira acreditou e rezou, achando que através
de suas orações seus pecados seriam perdoados, colocando
sua esperança nas non compos mentis (mentes não saudáveis)
da humanidade, cuja loucura é o resultado da civilização
e da sociedade culta e a segunda acredita apenas na negação
da sua própria personalidade em sua forma humana, o fim de tudo
sendo o Nirvana, onde nem a oração, nem a fé
podem ajudar, uma vez que tudo depende do nosso Carma (mérito
ou demérito pessoais)." (HPBS II, 58)
Viajando Nos Cárpatos
(1867)
Embora sua irmã apenas diga que, após sua recuperação,
em 1865, ela partiu do Cáucaso para a Itália, há nos
Arquivos em Adyar um pequeno diário de viagens de HPB que
dá informações mais exatas. Escrito em francês,
sem estar datado, mostra através de episódios históricos
citados que ela esteve em Belgrado em abril de 1867, viajou de barco pelo
Danúbio e de carruagem por várias cidades da Hungria e Transilvânia.
(CW I, 11-22) As anotações estão quase sempre
relacionadas a eventos musicais e teatros, dando a impressão de
que ela estava viajando com Metrovitch, pois ele era um cantor de ópera.
Há também algumas anotações de tarifas de trens
na Áustria, de Viena para Graz, de lá para Leibach, de Viena
para Trieste e de lá para Veneza, indicando que ela pode ter ido
à Itália em seguida.
Jean O. Fuller, em seu livro Blavatsky and her Teachers, acha
que HPB não estava com Metrovitch, mas que talvez ela mesma estivesse
dando alguns recitais de piano durante a viagem. (Fuller, 19) Porém,
o fato de nas anotações não haver qualquer menção
a ele ou a qualquer outro acompanhante, não quer necessariamente
dizer que ela estivesse viajando sozinha. Outros biógrafos acham
que ela estava tanto com Metrovitch quanto com Yury. (Meade, 90-91)
Assim como nos primeiros anos de viagens pelo mundo, há várias
incertezas sobre esse período, que foram deliberadamente geradas
por HPB que, em razão de sua vida oculta, não queria que
as pessoas, nem mesmo seus familiares, soubessem onde estava ou o que fazia:
"Então, dos 17 aos 40, tomei o cuidado de apagar todas as pistas
a meu respeito, por onde quer que tenha andado em minhas viagens. Quando
estava em Barri, na Itália, estudando com uma feiticeira local
enviava minhas cartas para Paris, para postá-las de lá para
meus familiares. A única carta que eles receberam de mim, da Índia,
foi quando estava partindo de lá, na primeira vez. Então
de Madras, em 1857; quando estava na América do Sul, escrevi para
eles e postei através de Londres. Nunca permiti que as pessoas
soubessem onde eu estava e o que estava fazendo. Tivesse
eu sido uma p comum, eles teriam preferido isso a que eu estivesse estudando
ocultismo." (LBS-61, 154)
Um local dado como certo que HPB esteve, entre 1865 e 1868 é na
batalha de Mentana, na Itália, que ocorreu em novembro de 1867.
Entretanto, o que ela fazia por lá é um mistério,
que mesmo na época era conhecido apenas por poucas pessoas: "Os
Garibaldi (os filhos) são os únicos que sabem de toda a verdade
e mais alguns garibaldianos com eles. O que eu fiz, você sabe parcialmente,
não sabe de tudo." (LBS-60, 144) Mas HPB garante que:
"Nunca estive no "grupo de Garibaldi". Fui com amigos para Mentana
para ajudar a atirar nos Papistas e fui alvejada. Isso não é
da conta de ninguém menos ainda de qualquer m--o [maldito] repórter."
(CW I, 55)
De qualquer modo, ela indica para Sinnett que quando o príncipe
Michael Obrenovitch foi morto, ela:
"estava em Florença, após Mentana, e em meu caminho
para a Índia com o Mestre, desde Constantinopla. (...) Eu estava
em Florença perto do Natal, talvez um mês antes, quando o
pobre Michael Obrenovitch foi morto. Então fui de Florença
para Antemari e em direção de Belgrado onde, nas montanhas,
tive que esperar (como ordenado pelo Mestre) para Constantinopla passando
pela Sérvia e as montanhas Cárpatos esperando por uma certa
pessoa que ele havia enviado para me encontrar". (LBS-61, 151)
Em junho de 1868, o príncipe Michael Obrenovitch, sua tia Catherine
e a filha dela foram assassinados no jardim da casa em Belgrado, à
luz do dia, sem que descobrissem quem foram os assassinos. Em dezembro
de 1875, HPB publicou no New York Sun uma história, sob o
título de "Uma História do Misterioso", em que relata que
o príncipe e seus familiares teriam sido vítimas de um ritual
de magia.
Anos mais tarde, em janeiro de 1883, a história foi republicada
no The Theosophist sob o título "Pode o Duplo Matar?", e
veio a fazer parte de uma coletânea de 7 histórias publicadas
em 1892, sob o título Nightmare Tales (Histórias de
Pesadelos). Das sete histórias, reconhece-se que pelos três
delas foram compostas em parceria com o "adepto que escreve histórias
com HPB" (LMW 1stS, 50), isto é, com seu "Sahib",
o Mestre Hillarion. Ela comenta:
"Eu escrevo histórias, sobre fatos que aconteceram aqui
e acolá, com pessoas vivas, apenas mudando seus nomes (não
em Pode o Duplo Matar?, onde fui tão tola que coloquei
os personagens verdadeiros); e isso me foi apresentado e arranjado por
Illarion". (LBS-61, 152)
Morte de Yury (1867)
HPB contou para Sinnett que, após Tiflis, ela encontrou com Metrovitch
na Itália, quando ela havia levado "a pobre criança para
Bolonha, para ver se poderia salvá-la". (LBS-60, 144)
Nessa ocasião:
"ele fez tudo que pode por mim, mais do que um irmão. Então
a criança morreu; e como ela não tinha nenhum tipo de documento,
e eu não me importava em dar meu nome como alimento para os falatórios
amáveis, foi ele, Metrovitch, que assumiu todo o trabalho, que enterrou
o aristocrático filho do Barão sob o seu
próprio nome, Metrovitch, dizendo que "não se importava",
numa pequena cidade do sul da Rússia, em 1867. Depois disso, sem
avisar meus familiares que havia retornado à Rússia para
trazer de volta o infeliz menininho, que não consegui devolver com
vida para a governanta que o Barão escolhera para ele, simplesmente
escrevi para o pai da criança notificando-o sobre essa ocorrência
agradável para ele e voltei para a Itália com o mesmo passaporte."
(LBS-60, 144)
Numa carta para Dondoukoff, HPB parece estar se referindo à morte
de Yury, quando escreve que:
"Eu estava com 35 anos quando o vi pela última vez. Não
vamos falar dessa época terrível e eu lhe imploro
que a esqueça para sempre. Eu havia recém perdido o único
ser que fazia a vida valer a pena ser vivida, um ser a quem amei, parafraseando
Hamlet, como "quarenta mil pais e irmãos nunca amarão seus
filhos e irmãs"." (HPBS II, 19)
E em outra carta para Dondoukoff, dá a impressão de que HPB
havia deixado Yury na Rússia para poder retomar suas viagens mas,
muito saudosa, resolveu desobedecer seu "hindu invisível"
e foi para Kiev onde perdeu "tudo que me era mais caro no mundo":
"De 1865 até 1868, enquanto pensavam que eu estava na Itália
ou em algum outro lugar, eu havia ido novamente para o Egito, de onde deveria
ir para Índia, mas me recusei a faze-lo. Foi então que, voltando
para a Rússia, contra o conselho do meu indiano invisível,
pois ele queria que, ao invés disso, eu fosse para a "Lamaseria"
de Top-Ling, para além dos Himalaias onde eu havia me sentido tão
bem, levada pelo meu desejo de ver novamente --- (não, perdoe-me
por não dizer, mas não tenho forças para tanto)
digamos, para ver meu país vim a Kieff, onde perdi tudo que me
era mais caro no mundo e quase fiquei louca." (HPBS II, 26)
Há algumas evidentes confusões nessas referências.
Como vimos, para Sinnett ela diz que estava com Yury e que levou-o para
Bolonha para tentar salvar sua vida. Tendo encontrado com Metrovitch na
Itália, esse a acompanhou e, juntos, acabaram enterrando a criança
numa cidadezinha do sul da Rússia, em 1867.
Vimos que para Dondoukoff, ela dá outra versão: aos 35
anos isto é, em 1866 ou no primeiro semestre de 1867, Yury havia
recém morrido. Que ela estava no Egito entre 1865 e 1868, e não
na Itália e que, ao invés de ir para o Tibet, voltou para
a Rússia. E em Kiev, Yury teria morrido e sido enterrado.
Até o Final Persistem Suspeitas
sobre Yury (1890)
HPB faleceu em 8 de maio de 1891. Menos de um ano antes de sua morte,
em 20 de julho de 1890, Elliot Coues publicou no jornal de Nova Iorque
The Sun um artigo chamado "Blavatsky Unveiled?" (Blavatsky
Revelada?). Nesse artigo Coues diz que o Sr. W.E. Coleman recebeu
uma carta de Daniel D. Home, que situa HPB:
"em Paris em 1857 ou 58, como uma mulher de reputação
suspeita, tendo um caso com o príncipe Emil de Wittgenstein, de
quem ela teve um filho deformado, que morreu em Kiev, em 1868." (Coues)
Essa afirmação acima fez com que HPB movesse uma ação
contra Coues e o jornal The Sun, na qual Judge atuou como seu advogado.
Ao comunicar a ST sua decisão de entrar com a ação
judicial, HPB escreveu:
"Por cerca de quinze anos tenho calmamente agüentado e visto
meu bom nome sendo atacado por fofocas de jornais (...) Alguns membros
podem perguntar porque nunca respondi àqueles ataques que eram dirigidos
contra o Ocultismo e os fenômenos. Por duas razões: o Ocultismo
permanecerá para sempre, não importa quão atacado
e os fenômenos ocultos nunca poderão ser provados numa corte
de justiça durante esse século." (Judge, ii)
Mas como nesse caso o jornal além de atacar sua moral, atacava a
de um velho amigo da família, já falecido, ela decidira entrar
com um processo por difamação. Ser chamada de uma mulher
de reputação suspeita era "tão ridículo
que dá vontade de rir" (Judge, iii), mas as outras acusações
não podiam ficar sem uma condenação. O caso acabou
sendo encerrado antes de ser concluído devido à morte de
HPB, em 8 de maio de 1891.
Em setembro de 1892 o jornal publicou uma retratação,
dizendo que haviam sido enganados por Coues, que não tinha nenhuma
base sólida para suas acusações. Ainda em 1892, o
próprio Coleman publicou em Bombay um folheto com o mesmo título
do artigo de Coues, "Blavatsky Unveiled?", reacendendo a
questão. No folheto ele dá detalhes de uma carta que recebera
de D.D. Home, datada de 12 de junho de 1882, em Genebra, falando sobre
HPB:
"ele diz que ela [HPB] estava em Paris em 1858. "Eu não tive
nenhum interesse especial nela", diz o Sr. Home, "a não ser uma
estranha impressão que tive, na primeira vez que encontrei com um
jovem cavalheiro, que desde então tem sido como um irmão
para mim. Ele não seguiu meu conselho. Naquela época ele
era seu amante, e era por demais repulsivo para mim que ela, com o intuito
de chamar a atenção, fingisse ser uma médium. Meu
amigo ainda pensa que ela é mediúnica, mas ele está
também plenamente convencido de que ela é uma impostora."
(Coues)
Esse jovem cavalheiro, que era como um irmão para Home, é
identificado como o Barão Meyendorff. É importante realçarmos
que a opinião de Home tinha uma grande influência naquela
época, pois ele foi um dos mais conhecidos médiuns de seu
tempo.
Daniel Dunglas Home é considerado o maior médium físico
da história do Espiritismo moderno. Home conseguia levitar, fazer
música no ar, mover objetos etc. Em 1860 foi convocado por Napoleão
III para ir às Tuilleries, onde foram realizadas várias seções
mediúnicas. Sua fama se espalhou e outros reis e a alta sociedade
passaram a requisitar sua presença. D.D. Home nunca aceitou qualquer
pagamento por suas demonstrações.
Em Roma, na primavera de 1858, Home conheceu Alexandrina (Sacha) de
Kroll, uma russa cunhada do Conde Koucheleff-Besborodka. Poucos tempo depois
eles casaram-se em São Petersburgo. Em julho de 1862, sua primeira
esposa faleceu. Em 1871 casou-se novamente com uma rica senhora russa,
Julie de Gloumeline, e passou a dar sessões em São Petersburgo.
A fase mais importante da história de Home foi quando sua mediunidade
foi examinada por Sir William Crookes. Suas investigações
começaram em maio de 1871, com grande publicidade da imprensa. Seu
veredicto foi de que os fenômenos eram verdadeiros. Na década
de 1870 D.D. Home encerrou suas atividades mediúnicas. Ele faleceu
em junho de 1886, de tuberculose.
Home foi também um grande opositor de HPB. Como já vimos
no Inf. HPB 10, durante as sessões de espiritismo
na casa dos Eddy, onde HPB e Olcott se conheceram, um "espírito"
colocara em suas mãos o prendedor da medalha de honra que seu pai
usava, como uma prova concreta da genuinidade das manifestações.
(Gomes, 41) Quando a notícia foi para os jornais, D.D. Home
acusou HPB de fraude, com base no fato de que na Rússia não
era um hábito enterrar os mortos com suas medalhas.
Mestre KH escreve numa carta a Sinnett que D.D. Home era "o mais
amargo e cruel inimigo que O. [Olcott] e Mad. B [Blavatsky] tem, embora
ele nunca tenha encontrado nenhum deles." (Mlcr.-15, 53; ML-8)
Na verdade há controvérsias na questão se HPB encontrou
ou não com Home. Como vimos na carta para Coleman, o próprio
Home diz tê-la encontrado em Paris, no ano de 1858, quando ela seria
amante de "um jovem cavalheiro, que desde então tem sido como um
irmão para mim", isto é, do Barão Meyendorff.
Numa entrevista para um repórter do jornal Daily Graphic
de Nova Iorque, em 1874, HPB diz:
"Em 1858 eu voltei a Paris, e conheci Daniel Home, o espírita.
Ele havia se casado com a condessa Kroble, uma irmã da condessa
Koucheleff Bezborrodke, uma senhora de quem fui muito íntima em
minha mocidade. Home me converteu ao Espiritismo. (...) Vi Home sendo carregado
para fora de uma janela no quarto andar, baixado bem vagarosamente até
o chão e sendo colocado em sua carruagem. Depois disso voltei para
a Rússia e converti meu pai ao Espiritismo." (Anônimo)
Posteriormente HPB escreveu às margens do artigo, colado em seu
Scrapbook, que essas informações eram mentiras do
repórter, e que:
"em toda a minha vida nunca vi nem D.D. Home, nem sua esposa; nunca
estive na mesma cidade que ele por meia hora, em minha vida. De 1851 a
1859 estava na Califórnia, Egito e Índia. Em 1856-58 estava
no Kashmere e em outros lugares." (Anônimo, fac-símile)
Mas de outras fontes fica claro que HPB conhecia pelo menos a primeira
esposa de D.D. Home, a Condessa Alexandrine (Sasha) de Kroll. O periódico
Human Nature de abril de 1872, anuncia a formação
da Societé Spirité de HPB no Cairo e seu anúncio
pedindo médiuns, para "demonstrar a existência de seres espirituais".
Ela oferecia aos médiuns hospedagem sem qualquer custo, em sua própria
casa. E no final o periódico publica uma nota da própria
HPB:
"Gostaria de assinar sua valiosa publicação, O MÉDIUM.
Por favor me informe qual será o preço da assinatura. Se
por acaso você encontrar com o Sr. D. Home, o médium, por
favor lhe diga que uma amiga de sua falecida esposa, "Sacha" uma amiga
de St. Petersburgo de anos passados lhe envia suas melhores recomendações
e lhe deseja prosperidade."(Burns)
Luz e Sombra, Divino e Humano
Podemos perceber que em quase todas as questões aqui examinadas,
de Yury a D.D. Home, HPB fez questão de manter algumas em segredo
e de gerar incoerências e confusões em outras. Por isso mesmo,
fica difícil concluir com segurança sobre os temas. Foram
apresentados vários aspectos e cabe a cada leitor interessado tirar
suas próprias conclusões.
É importante conhecermos esses lados polêmicos de Madame
Blavatsky porque eles podem nos auxiliar a vê-la como o ser humano
que foi, e não como um mito do qual escondemos todos os defeitos
e aspectos que poderiam nos escandalizar. Ao mesmo tempo, vê-la como
um ser humano, não deve fazer com que deixemos de reconhecer sua
importância, e lhe dar o devido mérito que sua imensa obra
lhe confere.
Poucos anos após a morte de HPB, sentindo que um processo desfigurador
causado pelo endeusamento de sua pessoa crescia cada vez mais, Olcott resolveu
escrever os artigos que posteriormente viraram seu livro, "Old Diary
Leaves". Ele conta:
"O principal impulso para preparar estes artigos foi um desejo de
combater uma crescente tendência dentro da Sociedade de endeusar
Madame Blavatsky e de dar as suas produções literárias
mais comuns um caráter quase-inspiracional. Suas evidentes faltas
estavam sendo cegamente ignoradas, e a falsa cortina de uma pretensa autoridade
sendo colocada entre suas ações e uma crítica legítima.
Aqueles que menos gozaram de sua verdadeira confiança e, portanto,
menos conheceram de seu caráter privado, eram os maiores transgressores
a esse respeito. Era mais do que evidente que, a menos que contasse o que
tão somente eu conhecia, a verdadeira história de nosso movimento
nunca poderia ser escrita, nem os verdadeiros méritos de minha maravilhosa
colega poderiam ser conhecidos. (...) Comentários confidencias têm
circulado contra mim, e os exemplares atuais do The Theosophist
têm sido retirados das mesas das salas de leitura das Lojas. Isso
é algo infantil: a verdade nunca prejudicou uma boa causa, nem a
covardia moral jamais ajudou a uma causa ruim." (ODL I, viii)
Na última carta com a caligrafia dos Mestres, recebida em 1900 por
Annie Besant, há uma forte repreensão quanto a essa tendência
ao endeusamento e conseqüente credulidade:
"Diz um provérbio tibetano: "credulidade gera credulidade e
termina em hipocrisia." Quão poucos são aqueles que podem
saber qualquer coisa a nosso respeito. Deveríamos ser venerados
e idolatrados? A adoração de uma nova Trindade, constituída
pelo abençoado M., Upasika [HPB] e vós mesma, deveria tomar
o lugar de credos já desacreditados? Não pedimos que nos
adorem. O discípulo não deve de forma alguma ser agrilhoado.
Cuidado para não criar um Papado Esotérico." (KH)
Olcott, seu companheiro de tantos anos, escreveu sobre essa mescla de aspectos
em HPB que tantos procuram ocultar, mostrando o quanto a conhecia:
"Onde houve um ser humano com uma tal mescla como essa misteriosa,
essa fascinante, essa portadora da luz que é HPB? Onde podemos encontrar
uma personalidade tão marcante e tão dramática; alguém
que tão claramente apresentava em seus lados opostos o divino e
o humano? O Carma me proíbe que eu lhe faça a mínima
injustiça, mas se alguma vez na História existiu uma pessoa
que foi um maior conglomerado de bem e de mal, luz e sombra, sabedoria
e indiscrição, percepção espiritual e falta
de bom senso, eu não posso me lembrar do nome, nem das circunstâncias
ou da época. Tê-la conhecido foi uma educação
muito ampla, ter trabalhado com ela e gozado de sua intimidade, uma experiência
do tipo mais precioso. Ela era uma ocultista demasiado grande para medirmos
sua estatura moral. Ela nos compelia a amá-la, por mais que conhecêssemos
suas faltas; a perdoá-la, por mais que ela pudesse ter quebrado
suas promessas e destruído nossa crença inicial em sua infabilidade.
E o segredo desse poderoso encantamento eram seus inegáveis poderes
espirituais, sua evidente devoção aos Mestres, a quem ela
descrevia como personagens quase supranaturais, e seu zelo pela elevação
espiritual da humanidade, por meio do poder da Sabedoria Oriental. Será
que veremos alguém como ela novamente? Será que em nosso
tempo, a veremos novamente sob algum outro disfarce? O tempo nos dirá."
(ODL I, x)
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O Informativo HPB
tem por objetivo compartilhar o resultado de estudos
e pesquisas sobre HPB
realizados nos últimos anos.
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e devem ser encaminhados
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Marina Cesar Sisson
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