As Relações Iniciais Entre a ST e a SPR
Marina Cesar Sisson
(Artigo publicado originalmente no Informativo HPB n0 12, julho/2000)

A "Society for Psychical Research" (SPR) [Sociedade para Pesquisas Psíquicas] foi fundada em fevereiro de 1882 por H. Sidgwick, W.F. Barrett, B. Stewart, Stainton Moses, E. Gurney e G. Wyld. Entre outros, seus principais objetivos nessa época eram: examinar os fenômenos paranormais como a influência de uma mente sobre outra, hipnotismo, transe mesmérico e clarividência; verificar se existia qualquer poder de percepção além dos conhecidos; investigar aparições no momento da morte ou perturbações em casas consideradas assombradas; pesquisar os fenômenos físicos chamados de espíritas, tentando descobrir suas causas e leis gerais e reunir dados sobre esses assuntos. 

A SPR pretendia aproximar-se desses vários problemas sem preconceitos ou prevenções de qualquer tipo, num espírito científico de investigação, (CW IV, p. 130) sendo a primeira sociedade desse tipo a ser fundada no mundo. Logo após sua fundação, HPB escreveu no "The Theosophist", elogiando a iniciativa e dizendo que esse campo de pesquisas deveria estar contemplado na ST: 

"Tinha-se como propósito ao fundar a Sociedade Teosófica Britânica, nossa seção em Londres, cobrir exatamente esse campo, adicionando a ele a esperança de poder trabalhar sob o contato pessoal direto com aqueles ‘Grandes Mestres da Cadeia Nevada do Himavat’, cuja existência tem sido amplamente provada por alguns de nossos membros e, de acordo com o rev. Sr. Beale – ‘é conhecida por todo o Tibet e China’. Enquanto, certamente, algo foi feito nessa direção, ainda assim, por falta do auxílio de cientistas como aqueles que agora se reuniram para fundar essa nova Sociedade, o progresso tem sido relativamente lento. Em todas as nossas seções há mais uma tendência de devotar tempo para ler livros e artigos e propor teorias, do que para pesquisa experimental nos departamentos de mesmerismo, psicometria, Odyle (a nova força de Reichenbach) e mediunismo. Isso deveria ser modificado, pois os temas acima mencionados são as chaves para todo o mundo da ciência psicológica desde a mais remota antigüidade até nossos dias. A nova Sociedade de Pesquisas Psíquicas, então, tem nossos melhores votos ..." (CW IV, p. 131) Antes mesmo da fundação da SPR, Stainton Moses havia desenvolvido uma determinação de acabar com a ST em Londres. De acordo com o Mestre KH, isso havia sido causado por uma indiscrição de Sinnett, que lhe escrevera citando um comentário do Mestre KH a respeito do próprio S. Moses, o qual tinha ferido sua vaidade. O Mestre comenta também que a fundação dessa "Sociedade Psíquica" já tinha esse objetivo. (MLcr., p. 130; ML-45) Porém, o Mestre KH também reconhecia a importância da SPR, pois em julho de 1883, escreve que seu trabalho:  "... é de uma natureza que revela para a opinião pública, através de demonstração experimental, as fases elementares da Ciência Oculta. H.S. Olcott tem tentado converter cada uma das lojas indianas numa tal escola de pesquisa, mas a capacidade de sustentar um estudo independente por amor ao conhecimento está faltando, e deve ser desenvolvida. O sucesso da SPR ajudará grandemente nessa direção, e nós lhe fazemos bons votos." (MLcr., p. 375; ML-59) Nesse Informativo HPB vamos conhecer como foram os contatos iniciais de HPB, Olcott e Mohini com a SPR, quais os episódios que levaram C. C. Massey a sair da ST e passar a duvidar de HPB e dos Mahatmas, e qual a influência que ele e Lane Fox exerceram sobre a SPR. Embora usualmente se atribua quase que unicamente aos Coulomb a criação de um clima de desconfiança e suspeitas, adverso a HPB e à ST, veremos que isso não é verdade. Havia um amplo quadro, formado não apenas pelas cartas que os Coulomb alegavam terem sido escritas por HPB, como também pelas influências de Massey e Lane Fox e pelo "plágio" conhecido como "caso Kiddle". 
A SPR Examina Olcott

Como a SPR estava interessada em investigar os fenômenos relacionados a HPB e as aparições dos Mestres, quando HPB e Olcott estiveram em Londres entraram em contato com eles. No dia 11 de maio de 1884, Olcott foi entrevistado por Myers e Stack, e falou sobre a primeira visita de seu Guru, ainda em Nova Iorque, sobre as viagens astrais de Damodar, a visita do Mestre KH à sua tenda no Lahore e da recente carta que havia caído do teto do vagão de trem enquanto viajava entre Paris e Calais. 

No dia 27 de maio Olcott foi novamente examinado e dessa vez, além de Myers e Stack, também participaram Gurney e Podmore, que também faziam parte do comitê. Frank Podmore era extremamente cético e partia sempre do princípio de que, numa investigação de fenômenos paranormais, sempre se deveria presumir desonestidade ao invés de poderes psíquicos anormais. Nessa segunda ocasião, Olcott foi examinado principalmente sobre as cartas dos Mestres, suas caligrafias, os fenômenos do "santuário" e os poderes telepáticos dos Adeptos. (Murphet, p. 187) Ele também falou sobre o transporte e materialização de objetos, o som de sinos que tocavam no ar, a aparição de Adeptos ofertando flores etc. (ODL III, p. 104) 

Porém Olcott, em seu entusiasmo pela ST e pelos Mestres e em sua simplicidade intelectual, passou uma impressão muito crédula e pouco científica para a SPR, e suas respostas por vezes imprecisas com relação a detalhes foram posteriormente usadas contra ele. Mohini e Sinnett também foram examinados pelo comitê, em maio e em junho. (Ranson, p. 200) No dia 30 de junho Olcott, HPB e Sinnett foram a uma reunião da SPR, na qual Olcott resolveu fazer um discurso inesperado que causou uma impressão desfavorável em todos. Sinnett relata: 

"No decorrer da reunião, coronel Olcott, sem qualquer convite, levantou-se e fez um discurso extraordinariamente sem tato. Os líderes da Sociedade de Pesquisas Psíquicas eram extremamente cuidadosos em manter todas as suas reuniões num nível de cultura da classe mais elevada. Agora, o Coronel Olcott, com toda a sua bondade e devoção à causa, não estava em sintonia com o gosto dos europeus requintados. O registro em meu diário mostra: ‘Coronel Ol. fez o papel de um tolo desagradável, e fez com que a V.S. ficasse furiosa e envergonhada. (V.S., é claro, significa ‘Velha Senhora’, nome pelo qual nós sempre falamos com Madame Blavatsky e a ela nos referimos.) 

"Embora hospedada com as Arundale, a V.S. insistiu em voltar para a nossa casa após o encontro para desabafar sua fúria. Sua face estava branca pela intensidade de sua emoção; ela falou tão alto que eu estava com medo que ela pudesse perturbar os vizinhos, e ela xingou o desafortunado Coronel até que ele foi levado a lhe perguntar se ela queria que ele cometesse suicídio. É claro que a demonstração de fúria era inútil e absurda, por um lado, mas ela compreendeu, sem prever os detalhes, que algo terrível havia acontecido. E realmente havia ocorrido. Os problemas posteriores, que por um período sacudiram a Sociedade na Europa, todos remontam àquela noite horrível que descrevi. Os líderes da Sociedade Psíquica ficaram completamente arrepiados com a infeliz intervenção do Coronel. Até aquela época, eles tinham estado ansiosos por ter um contato próximo com o movimento teosófico. Frederic Myers e Gurney estavam entrando no círculo de nossos amigos íntimos. Mas a Sociedade Teosófica era jovem demais para suportar o choque das conseqüências que foram geradas pela indiscrição do Coronel. Antecipando registros futuros que tratarei mais tarde, posso dizer aqui que o envio de Richard Hodgson para a Índia para investigar os fenômenos de Madame Blavatsky, seu relatório desfavorável, e o colapso de nossa jovem sociedade, da qual quase todo mundo foi embora, quando parecia como se Mad. Blavatsky tivesse sido desmascarada e desacreditada - todos foram frutos daquela noite infeliz de 30 de junho de 1884." (Sinnett, p. 27)

Penso que Sinnett exagerou um pouco, pois não apenas os Coulombs tiveram um papel muito importante, como também os demais acontecimentos que temos estudado nesses números do Informativo HPB. Não obstante isso, a Madame comentando esse episódio em uma carta para Sinnett, nos oferece uma confirmação do caráter desafortunado desse episódio, ao escrever:  "Sim; foi Olcott atulhando os Psíquicos de Cambridge com suas experiências; e sua deplorável apresentação insolente (...) naquele encontro da SPR – que trouxe toda a miséria sobre nós. Porém ele o nega. Ele até mesmo sustenta na Índia, e na minha cara, que eu sou a única causa disso; de que foi a minha visita à Europa que causou tudo isso! Bem – que assim seja." (LBS, p. 113) Olcott, em sua simplicidade, não aceitava a crítica de HPB de que deveria ter sido mais cauteloso e falado menos, dizendo que não eram os membros da SPR que a estavam julgando, mas sim os "Dons" (reverendos) da Igreja. (LBS, p. 102) Ele estava de boa fé, abrindo seu coração, expondo suas experiências pessoais mais íntimas e sagradas, pensando que esse testemunho poderia ajudar na causa da ciência espiritual e dar conforto e esperança para aqueles que não eram tão afortunados quanto eles que passaram por tais experiências. (ODL III, p. 104) No entanto, diz HPB que após a publicação do relatório final da SPR, "quando seu julgamento teve um tal fim glorioso para nós, ele [Olcott] ficou extremamente assustado, ao ponto de transformar-se num brâmane, um perfeito Subba Row quanto à secretividade." (LBS, p. 102) 
HPB em Cambridge

Em 8 de agosto, HPB e Mohini, acompanhados de mais alguns teosofistas, estiveram em Cambridge, para uma reunião da SPR. Myers e Sidgwick fizeram então uma série de perguntas à Madame, algumas das quais Mohini também respondia. A entrevista durou algumas horas e, no geral, eles ficaram favoravelmente impressionados com as respostas de HPB. Descreve Sidgwick: 

"Não há dúvida de que o material de suas respostas lembrava Ísis Sem Véu em algumas de suas piores características; mas sua maneira era certamente franca e direta – era difícil imaginá-la como a elaborada impostora que ela deve ser se toda a coisa for um truque ... (Em 10 de agosto) nós todos fomos a um almoço teosófico com Myers ... Nossa impressão favorável de Mad. B. foi mantida; se podemos acreditar em nossas sensibilidades pessoais, ela é um ser genuíno, com uma vigorosa natureza tanto intelectual quanto emocional, e um desejo real pelo bem da humanidade. Essa impressão é ainda mais digna de nota na medida em que ela não é atraente externamente – com seus babados cheios de cinzas de cigarros – e não é cativante em suas maneiras. Certamente gostamos dela, tanto Nora (Sra. Sidgwick) quanto eu. Se ela é uma impostora, é uma impostora consumada: pois suas observações têm o ar não apenas de espontaneidade e aleatoriedade, mas algumas vezes de uma divertida indiscrição. Assim, no meio de relato sobre os Mahatmas no Tibet, visando nos passar uma visão elevada desses personagens, deixou escapar sua sincera impressão de que o Mahatma chefe de todos era a múmia velha mais seca que ela jamais vira ...." (Caldwell, p. 186)
A Renúncia de C.C. Massey

Em janeiro de 1878, indo de Nova Iorque para a Índia, HPB e Olcott pararam em Londres e organizaram a ST Britânica. Charles Carleton Massey foi um dos fundadores e o seu primeiro presidente. Era advogado, mas acabou largando sua profissão para dedicar-se ao estudo de filosofia, psicologia e, especialmente, à investigação de fenômenos psíquicos. Esse interesse o levou a ser um dos fundadores, em 1882, da SPR. (CW I, p. 498) Sinnett, Hume, Fern e ele eram os quatro europeus colocados em provação. Deles, em janeiro de 1883, apenas Sinnett continuava merecendo a confiança dos Mahatmas. (MLcr., p. 341) 

Como vimos no Inf. HPB n° 7, foi Massey quem convidou Anna Kingsford para presidir a ST Britânica, e sempre permaneceu apoiando-a. A primeira reunião da Loja Hermética da ST Britânica – tentativa para manter Anna Kingsford dentro da ST - foi feita na propriedade de Massey. (ODL III, p. 98) Quando Olcott mudou as regras até então vigentes, proibindo a dupla filiação e obrigando, na prática, que o trabalho de Anna Kingsford fosse feito fora da ST, com a conseqüente criação da Sociedade Hermética, ele também continuou a apoiá-la. (Inf. HPB n° 9) 

Em 26 de julho de 1884, o jornal Light publicou um artigo de C.C. Massey, onde ele relata sua dificuldade em aceitar as explicações do Mestre KH sobre a acusação de plágio que Kiddle lhe havia feito e, embora aceitando a existência dos Adeptos, ainda assim, Massey via: 

"... em seus métodos, ou melhor, nas coisas que são ditas e feitas em nome deles, um tal desvio de nosso senso prosaico de verdade e honra de modo a nos assegurar que algo está muito errado em algum lugar. Pois isso não é de modo algum um caso isolado. A repetida necessidade de explicações – que são sempre mais formidáveis do que as coisas a serem explicadas – deve com o tempo extenuar a fé mais paciente, exceto a fé que supera toda a inteligência, o credo quia impossibile

"Tenho apenas que acrescentar que, enquanto preservando todos os interesses e muito da crença que me atraiu para a Sociedade Teosófica, e que me mantiveram nela até agora, apesar de muitos e crescentes constrangimentos, eu não creio que a publicação das conclusões acima expressas seja consistente com a filiação leal. A constituição da Sociedade, sem dúvida, é ampla o suficiente para incluir mentes mais céticas que a minha própria com relação às suas pretensas fontes de vitalidade e influência. Mas deixe qualquer um tentar exercer essa liberdade nominal, e ele se descobrirá, não apenas um elemento destoante, mas numa atitude de controvérsia com seus líderes ostensivos, com as forças motrizes da Sociedade." (Massey)

Alguns historiadores têm associado sua saída da ST com o ataque feito pela SPR à Madame. Porém, nessa época a SPR ainda não havia feito nenhuma condenação. Seu comitê estava no início das investigações e Myers e outros ainda pareciam estar a favor de HPB. 
O Círculo Interno da Loja de Londres

Além do "caso Kiddle", e de todos os acontecimentos envolvendo Anna Kingsford, de quem era grande amigo, também influenciou a saída de Massey a criação, dentro da Loja de Londres, de um grupo denominado "Círculo Interno", com o qual ele não concordava. O grupo estava sob a direção de Sinnett, e destinava-se àqueles que estavam dispostos a seguir os ensinamentos dos Mahatmas, em relação aos quais Massey nutria algumas suspeitas. A primeira reunião ocorreu em 17 de abril de 1884. Esse "Círculo Interno" não teve vida longa, mas é importante historicamente falando por ser considerado como a primeira tentativa de criação de uma Seção Esotérica. (CW VI, p. 251) Os integrantes do "Círculo Interno" declaravam: 

"Em vista da recente renúncia do Sr. Massey e a razão dada para ela, a saber, suspeita dos Mahatmas, e a inclinação que tem sido demonstrada por alguns outros membros da Loja de Londres, de desacreditar nos ensinamentos orientais e desconfiar de seus Instrutores nós, os abaixo assinado membros da Loja de Londres, estando convencidos de que nenhuma educação espiritual é possível sem absoluta e simpática união entre os estudantes companheiros, desejam formar um grupo interno. (...) 

"O princípio fundamental do Novo Grupo é a confiança implícita nos Mahatmas e em seus ensinamentos e uma resoluta obediência a seus desejos em todas as questões relacionadas com o progresso espiritual. 

"Finalmente, submetendo esta súplica a nossos reverenciados Mestres nós sinceramente lhes pedimos que, se ela tiver sua aprovação, para confirmá-la com suas assinaturas e consentir em continuar seus ensinamentos daqui por diante, enquanto permanecer um membro fiel nesse grupo." (CW VI, p. 255)

O Mestre M. precipitou no documento: "Aprovado." E o Mestre KH: "Aprovado. O pacto é mútuo. Ele será válido enquanto as ações dos abaixo assinados estiverem de acordo com as promessas implícitas no ‘princípio fundamental do grupo’, e por eles aceitas." E HPB acrescentou uma nota abaixo das assinaturas, dizendo que se algum membro conscientemente chegasse à sincera conclusão de que não poderia exercer a "resoluta obediência" requerida, esse poderia retirar-se do grupo, sem que por isso lhe fosse imputada conduta desonrosa. A isso Mestre KH acrescentou: "desde que ele ou ela não torne pública qualquer parte dos ensinamentos, pela palavra ou pela letra, sem a permissão especial do abaixo assinado. K.H" (CW VI, p. 256) 

Mas além do caso Kiddle e da formação do Círculo Interno, há ainda um outro episódio que foi muito importante na decisão de Massey. Ele é conhecido como "a carta britânica" e acabou fazendo parte do relatório preliminar da SPR, como uma suspeita de fraude de HPB. 

A Carta Britânica

Em 1879, C.C. Massey havia achado uma carta de um "Irmão" dentro do livro de atas da ST Britânica. Uma vez que os membros estavam desejosos de que houvesse alguma manifestação dos Mahatmas para eles, a carta foi aceita como tal. Porém, alguns anos mais tarde, o marido da Sra. Hollis Billing, uma médium cujo "guia" era conhecido como Ski, mostrou a Massey uma carta de HPB para sua esposa, onde a Madame lhe pedia que, através de Ski, ela enviasse uma outra carta para Massey (carta essa que seguia anexa): 

"Por favor, peça a ele para pegar a carta anexa e colocá-la em seu bolso, ou em algum lugar ainda mais misterioso. Mas ele não deve saber que é Ski. Deixe-o pensar o que quiser, mas ele não deve suspeitar que você esteve perto dele com Ski às suas ordens. Ele não suspeita de você, mas sim de Ski. (Também seria bom se ele pudesse dar à LL alguma prova de afeição oriental, mas nenhum deles deve suspeitar que é de Ski, portanto será mais difícil para faze-lo do que seria se fosse produzido em uma de suas seancés.)" (Price 1985a, p. 58) Para Massey, o fato da Madame ter pedido à Sra. Hollis Billing para enviar a carta de "um modo misterioso", dando a impressão de que o próprio autor da carta é que a havia enviado ocultamente – uma prova que a LL estava pedindo – era algo que além de não ter resposta, lançava suspeita de fraude sobre HPB. Essa suspeita foi ainda reforçada pelo fato de que, numa das cartas atribuídas a HPB e publicadas no Christian College Magazine, ela teria escrito a Emma Coulomb algo semelhante: "Eu lhe imploro que envie essa carta (aqui anexa) para Damodar de um modo miraculoso. É muito importante." (CW VI, p. 301) 

Sobre essa carta para Massey, o Mestre KH escreve para Sinnett, em janeiro de 1883, que havia sido realmente ‘Ski’ que colocara a carta dentro do livro de atas da LL, e que: 

"Me é suficiente dizer que ‘Ski’ por mais de uma vez tem servido como portador e até mesmo porta-voz para vários de nós; e que no caso a que o Sr. Massey se refere, a carta de um ‘Irmão Escocês’, havia alguém genuíno para entregá-la, o que misteriosamente para ele, nós terminantemente nos recusávamos a fazer – inclusive o irmão ‘Escocês’ –uma vez que, não obstante os pedidos exaltados de Upasika de que fizéssemos umas poucas exceções em favor de C.C. Massey, seu ‘melhor e mais querido amigo’, (...) não estávamos autorizados a desperdiçar nossos poderes tão insensivelmente. Madame B., portanto, foi deixada para despachá-la pelo correio ou, se ela o preferisse, por meio de ‘Ski" - tendo M. a proibido de exercer seus próprios meios ocultos." (MLcr, p. 352; ML-91B) E em julho de 1883, o Mestre KH volta ao assunto da carta para Massey, e dessa vez também esclarece que a carta não havia sido escrita por um Irmão ‘escocês’, mas pelo "nosso Irmão H – então na Escócia, e enviada indiretamente através de ‘Ski’." (MLcr, p. 382; ML-81) 

Numa carta anterior, ainda em outubro de 1882, o Mestre KH já alertara Sinnett sobre a mudança de atitude de Massey em relação a HPB, dizendo que todo o episódio estava ligado às provações que alguém que quisesse se aproximar Deles, estaria inevitavelmente submetido: 

"Agora, quais são os fatos e quais as acusações contra HPB? Muitos são os pontos sombrios contra ela na mente de CCM, e a cada dia eles se tornam mais pretos e mais feios. (...) devo lembrar-lhe daquilo que você tão profundamente detesta; isto é, que ninguém entra em contato conosco, ninguém mostra um desejo de nos conhecer mais, a não ser que se submeta a ser testado e colocado por nós em provação. Assim CCM não mais do que qualquer outro poderia escapar de seu destino. Ele tem sido tentado e se permitiu que fosse enganado pelas aparências, e com demasiada facilidade caiu como uma presa de sua própria fraqueza – suspeita e falta de auto confiança. Em resumo, lhe falta o primeiro elemento para o sucesso num candidato – fé inabalável, uma vez que sua convicção se baseia, e tem suas raízes em conhecimento, não numa simples crença em certos fatos. Agora, CCM sabe que certos fenômenos dela são inquestionavelmente genuínos; (...) Após alimentar pelo período de três anos uma fé cega nela, chegando quase ao sentimento de veneração, no primeiro sopro de uma calúnia bem sucedida, ele, um amigo dedicado e um excelente advogado cai vítima de um complô perverso, e sua consideração por ela mudou para um positivo desdém e uma convicção de sua culpa!" (MLcr., p. 293-4; ML-54) Para Sidgwick, em carta de novembro de 1884, expondo o caso, Massey diz que HPB lhe garantira que a carta realmente era de um "Irmão", e que fora entregue a ela sem qualquer instrução de como enviá-la. Entretanto Massey confidencia a Sidgwick não acreditar que tivesse realmente recebido uma carta genuína. (Price 1985a, p. 56) Como Massey era importante na SPR, suas dúvidas, sua perda de confiança em HPB, ao achar que ela o havia enganado, provavelmente influenciaram as conclusões da SPR. (Price 1986, p. 112) 
Lane Fox e a SPR

Outra pessoa que influenciou a SPR contra HPB foi o Sr. St. George Lane-Fox, que integrava o Conselho de Controle em Adyar, enquanto HPB e Olcott estavam na Europa. Antes de filiar-se à ST, ele já era um membro da SPR. Em 24 de setembro de 1884, chegou à Europa para passar o verão, entrando em contato com a SPR e expondo seus pontos de vista com relação ao que estava acontecendo em Adyar. Sua opinião, nada favorável, certamente contribuiu para que Hodgson já fosse para a Índia predisposto contra HPB. Isso fica claro numa carta escrita por C.C. Massey para Myers, em 17 de outubro de 1884, quando as acusações de Emma Coulomb no Christian College Magazine já haviam sido publicadas, e a SPR já decidira investigar melhor toda a questão, enviando Hodgson à Índia. Massey relata: 

"Tive uma longa conversa esta noite com Lane-Fox e, do que ele disse, não há dúvidas de que Damodar é muito pouco confiável. L.F. estava muito ansioso em fazer justiça às boas qualidades de Damodar, mas deixou claro (em linguagem direta) que ele é um mentiroso, e do relato geral sobre ele, não tenho dúvidas de que ele tem sido usado. Isso, para minha mente, é bastante consistente com que ele tenha sido, por sua vez, enganado, pois ele parece ser um jovem vaidoso e convencido, usado devido à sua faculdade mediunística, e que lhe fizeram acreditar que era um favorito dos Mahatmas. 

"Lane-Fox diz que Mad. Coulomb fez alguns fenômenos espúrios, os quais Mad. Blavatsky não teve a ‘coragem moral’ de impedir! É claro que ele argumentou contra minha visão em geral, mas seus fatos a apoiam. (...) 

"Do relato de Lane-Fox eu inferi que a mentira e a fraude são abundantes e habituais na Sede. O que mais, realmente, podemos deduzir dos favores por longo tempo gozados pelos Coulombs? (...) 

"Você faria bem em mostrar essa carta para Sidgwick ou Hodgson, se algum deles já não estiver a par dos fatos. Mas faça como quiser." (Price 1985b, p. 75)

E no alto da carta também estava escrita a seguinte nota: "Lane-Fox está voltando quase imediatamente, assim encontrará Hodgson." Assim, na condição de teosofista e membro do Conselho de Controle, ao transmitir tais impressões, é bastante evidente que Lane Fox também contribuiu para uma opinião contrária a HPB junto à SPR. (Price 1985b, p. 76) 

No próximo Informativo HPB veremos com maiores detalhes as cartas publicadas pelo Christian College Magazine e as conclusões do relatório preliminar da SPR, que indicou a ida de Richard Hodgson a Adyar, para maiores investigações. 

Bibliografia

Blavatsky, H.P. H. P. Blavatsky Collected Writings, vol. I, IV, VI. TPH, Wheaton, 1975. 

Blavatsky, H.P. Letters of H.P. Blavatsky to A.P. Sinnett. TUP, Pasadena, 1973. 

Caldwell, D. The Occult World of Madame Blavatsky. Impossible Dream Publ., Tucson, 1991. 

Hao Chin Jr., V. (ed.) The Mahatma Letters (in Chronological Seq.) TPH, Quezon City, 1993. 

Massey, C.C. "The Explanation of the Kiddle Incident". Blavatsky Archives Online, 1999. 

Murphet, H. The Hammer on the Mountain. TPH, Wheaton, 1972. 

Olcott, H.S. Old Diary Leaves, vol. III. TPH, Adyar, 1974. 

Price, L. "The British Letter" Theosophical History, Vol. 1. No. 3, pp. 54-59, July 1985a. 

Price, L. "The First SPR Man at Adyar?" Theosophical History, Vol. 1. No. 4, pp. 74-80, Oct. 1985b. 

Price, L. "Massey’s Resignation and the SPR" Theos. History, Vol. 1. No. 5, pp. 112-114, Jan. 1986. 

Ranson, J. A Short History of the Theosophical Society. TPH, Adyar, 1989. 

Sinnett, A.P. Autobiography of Alfred Percy Sinnett. Theosophical History Centre, London, 1986. 

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