Novas Luzes sobre o Primeiro Casamento de HPBBlavatsky?""Blavatsky?" Ninguém que a conheceu, a conheceu assim tout court ("e pronto"). Mesmo para os seus inimigos, enquanto ela viveu, ela era Madame Blavatsky, ou pelo menos, H.P. Blavatsky; enquanto que, para os que gostavam dela e eram seus amigos, ela era Helena Blavatsky, ou HPB, ou a "Velha Sra."" (Concerning H.P.B., p. 1.) Neste primeiro número do Informativo HPB vamos rever como HPB deixou de ser Helena Petrovna von Hahn e passou a ser Helena Petrovna Blavatsky, ou seja, vamos rever a história do casamento de Helena Petrovna com Nikifor Blavatsky. Quanto ao outro sobrenome de HPB, "Petrovna", ele vem do hábito russo de designar no nome, quem é o pai. Assim, Petrovna significa "filha de Peter", uma vez que seu pai chamava-se Peter Alexeyevich von Hahn. Podemos ver esta mesma terminação "vna", ou seja "filha de" nos nomes de sua avó e de sua mãe. A avó Helena Pavlovna, era filha do príncipe Paul Vassilyevich Dolgurukov, e a mãe, Helena Andreyevna, de Andrey Mihailovich de Fadeyev. Analogamente, para os homens, usa-se a terminação "vich" - p. ex., seu pai, Peter Alexeyevich é filho de Alexis Gustavovich Hahn von Rottenstern-Hahn. A História "Oficial" do Casamento com Nikifor V. BlavatskyÉ bom lembrar que quando Sinnett escreveu seu livro, HPB ainda era viva, e não queria que fossem revelados muitos detalhes de sua vida anterior à época da fundação da ST, a partir da qual ela se tornou uma pessoa mais conhecida do grande público. Muitos biógrafos têm simplesmente repetido esta história, com poucas modificações, mesmo em biografias recentes, como é o caso de Sylvia Cranston, em seu livro The Extraordinary Life and Influence of Helena Blavatsky. Em resumo, a história apresentada por Cranston é a seguinte: Aos 16 anos HPB teria conhecido o príncipe Galitsyn. Nesta época ela estava muito ocupada com os livros místicos da biblioteca de seu bisavô, e Galitzin era alguém com quem ela podia discutir estes assuntos. Após vários meses, o príncipe teria deixado Tiflis, e que não se sabe se HPB o encontrou novamente. Durante o inverno de 1848-49, HPB, então com 17 anos, surpreendeu a família, dizendo que iria se casar e que o escolhido era o velho Nikifor Blavatsky. Sua tia, Nadya, explicou que isto era uma resposta à provocação da governanta, que teria dito que ela não encontraria um homem que quisesse desposá-la, tendo em vista seu temperamento, nem mesmo o velho Blavatsky que ela achara tão feio, e de quem rira muito chamando-o de "corvo despenado". Então, em três dias, HPB ficou noiva dele. Depois, arrependendo-se e querendo voltar atrás, desesperada, ela fugiu de casa, sumindo por alguns dias. Esta fuga teria gerado falatórios, e seus familiares insistiram no casamento. Surpreendentemente ela não resistiu mais e casou-se com Nikifor em 07 de julho de 1849. Esta é, em síntese, a história "oficial" do casamento de HPB. Narrativa de Madame PissarevO "velho" Blavatsky, na verdade não era tão velho - tinha 40 anos por ocasião do casamento, e tudo indica que a história da governanta de HPB não é verdadeira. Há uma biografia de HPB escrita para o público russo por Helena Fyodorovna Pissarev, intitulada Yelena Petrovna Blavatskaya. Neste esboço biográfico é dada uma narrativa com relação ao casamento de HPB bastante diferente da versão "oficial" dada por Sinnett e repetida pela maioria de seus biógrafos. Esta narrativa está em sintonia com os detalhes contados pela própria HPB nas cartas a seu amigo, o príncipe Dondoukoff- Korsakoff, que encontramos em HPB Speaks II. Madame Pissarev diz em seu livro que estes fatos lhe foram narrados por Madame Yermolov, que era esposa do governador de Tiflis entre os anos de 1840 e 1850. Todos os Yermolovs eram íntimos amigos da família de HPB, especialmente dos Fadeyevs, enquanto estes residiram em Tiflis. Vejamos um resumo de sua narrativa: Príncipe Galitzin e a Fuga de Casa"...meu bisavô materno, Príncipe Paul Vasilyevitch Dolgurouki, tinha uma estranha biblioteca contendo centenas de livros sobre alquimia, magia e outras ciências ocultas. Eu os li com o maior interesse antes dos 15 anos. Todos as artes e magias, tidas como diabólicas, da Idade Média encontraram refúgio em minha cabeça e logo nem Paracelsus, Kunrath nem C. Agrippa teriam tido alguma coisa para me ensinar. Todos eles falavam do "casamento da Virgem vermelha com o Hierofante", e daquele do "mineral astral com a sibila", da combinação dos princípios feminino e masculino em certas operações alquímicas e mágicas." (HPB Speaks, II, p. 62.) Baseando suas conclusões na narrativa de Madame Yermolov, Madame Pissarev opina que Helena aceitou este arranjo para casar-se com o funcionário de estado Nikifor V. Blavatsky com o propósito expresso de tornar-se livre das restrições e da supervisão familiar, de modo que ela pudesse continuar com seus planos de devotar-se ao Ocultismo. A Escolha de NikiforA meu ver, a principal diferença é que no último caso, aparece uma HPB apenas voluntariosa, enquanto que no primeiro transparece alguém que já estava firmemente decidida a seguir em sua busca e para tanto fazia seus planos. E que, por isso mesmo, escolheu Nikifor Blavatsky, pois via nele alguém com possibilidades de lhe ajudar neste particular. As referências que HPB faz a respeito de seu casamento em sua
carta a seu amigo o príncipe Dondoukoff- Korsakoff reforçam
esta idéia de que HPB tinha esperanças de que Nikifor a auxiliasse
nesta busca. Isto porque ela anteriormente já compartilhava com
ele conversas sobre o oculto, e porque ele a compreendia mais do que os
outros, o que a motivou a escolhê-lo para o casamento. Que diferença
de uma simples birra de menina voluntariosa, como colocado pela história
"oficial" contada por Sinnett. Ela diz nestas cartas ao príncipe
Dondoukoff- Korsakoff:
As histórias de Helena andando a cavalo à volta do Monte Ararat e suas redondezas provavelmente pertencem a este período, quando ela era acompanhada por um chefe curdo Safar Ali Beb Ibrahim Bek Ogli, que havia sido destacado como seu guarda-costas e que certa ocasião salvou sua vida. (Collected Writings I, p. 32) O Coronel Olcott menciona este personagem em seu livro People from the other World. Eu Estava Pronta para Me SacrificarHelena Pissarev sugere que o príncipe Galitzin tenha apresentado HPB a um ocultista, que testou suas capacidades psíquicas e lhe deu um endereço no Egito, provavelmente de Paulus Metamon, que foi seu primeiro instrutor. Além disso, o príncipe teria sido responsável por sua viagem em companhia de uma outra dama russa, a Condessa Kisselev, após o término de seus laços maritais. Cortina de Fumaça sobre o CasamentoAssim, mesmo quanto à duração do período que conviveu com Nikifor, ela em diferentes momentos, afirma diferentes coisas. Para Sinnett, que preparava sua biografia, disse que havia sido de três meses. Em janeiro de 1875 numa resposta aos editores do NY Sunday Mercury, ela diz que esteve com Nikifor por apenas três semanas: (*) uma lorota; (**) uma mentira - estive com ele por apenas três semanas.; (***) legal, porque ele morreu (Collected Writings I, p. 54). Reencontro de HPB e NikiforDe algumas fontes se poderia facilmente ficar com a impressão de que o casamento com Nikifor Blavatsky havia sido anulado, ou pelo menos de que haviam sido dados passos nesta direção. Entretanto, além da carta ao príncipe Dondukoff-Korsakoff, de março de 1882, citada acima, onde ela afirma ter morado "um ano sob o seu teto", numa outra carta posterior, em junho de 1884, ela reafirma claramente que após retornar a Tiflis, ela reconciliou-se com Nikifor. Este deve ter sido o final do período de um ano novamente juntos. Isto demonstra a cooperação de Nikifor com HPB. Assim, fica claro que desde o início houve algum tipo de colaboração entre os dois, e que o relacionamento deles não se limitou apenas à birra de uma adolescente com um "velho", que o abandonou após três meses, nunca mais tendo eles se encontrado, conforme nos conta a história "oficial". Talvez em gratidão àquele que lhe auxiliou no começo de sua jornada, é que Helena Petrovna nunca tenha deixado de ser H.P. Blavatsky. Pequena Biografia de Nikifor V. BlavatskyCasou-se com Helena Petrovna Von Hahn em 7 de julho de 1849, e foi abandonado por ela cerca de 3 meses depois. Em 27 de novembro de 1849, foi indicado Vice-Governador da recém formada Província do Erivan, e a governou durante a ausência do Governador militar. Em 1857 foi temporariamente apontado para um comitê internacional para investigar questões controversas relativas às fronteiras. No verão de 1860 ele recebeu dois meses de licença e foi a Berlim para tratamento. No verão seguinte isto foi novamente repetido. Demitiu-se do cargo de Vice-Governador em 19 de novembro de 1860 e foi designado para a Sede da Administração Central do Vice-Rei. Entre 1861 e 62, ele e HPB voltaram a morar juntos, em Tiflis. Sua demissão de todos os cargos foi aceita em dezembro de 1864. Naquela época ele tinha uma pequena propriedade na Província de Poltava, e um documento da época afirma que ele ainda era casado. Em toda a sua carreira, Nikifor V. Blavatsky serviu em funções civis, e seu nível hierárquico nunca foi superior ao de Conselheiro Civil, que lhe foi outorgada em 9 de dezembro de 1856. Todos os esforços para determinar o ano da morte de N.V. Blavatsky foram em vão. Sabe-se, entretanto, de uma carta escrita por N.A. de Fadeyev para HPB e datada de outubro de 1877, que ele estava vivo e morando em Poltava. (Collected Writings,, I, p. xxxv) Esta última informação, entretanto, não
é corroborada pela própria Blavatsky, pois como vimos acima,
ela diz que a separação dos dois foi "legal, porque ele
morreu"!
BibliografiaBlavatsky, H.P. H.P.B. Speaks, vol II. Ed. by C. Jinarajadasa. TPH, Adyar, 1986. Blavatsky, H.P. H. P. Blavatsky Collected Writings, vol I. Ed. por Boris de Zirkoff. TPH, Wheaton, 1977. Cranston, Sylvia. HPB: The Extraordinary Life and Influence Of Helena Blavatsky, Founder of the Modern Theosophical Movement. G.P. Putnam’s Sons, New York, 1994. Mead, G.R.S. Concerning HPB. Kessinger Publishing Company, Montana, USA, 1st published in - The Theosophical Review - Vol. XXXIV, April 15th 1904 Neff, Mary K. Personal Memoirs of H.P. Blavatsky. Quest Book, TPH, Wheaton, 1971. Pissarev, H.F. Yelena Petrovna Blavatskaya, Biografichesky ocherk .(Citado em Barborka, Neff e Zirkoff) Sinnett, A.P. Incidentes in the Life of Madame H.P. Blavatsky, 1886. Kessinger Publ.Company, Montana. O Informativo HPB tem por objetivo compartilhar o resultado de
estudos e pesquisas sobre HPB, realizados nos últimos anos.
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