Curso de Filosofia Esotérica

Módulo 6

Estados Após a Morte


 


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Resposta às questões do módulo 5: O Corpo e o Corpo Astral

Material sobre Estados Após a Morte

Questões sobre Estados Após a Morte


RESPOSTA ÀS QUESTÕES DO MÓDULO No. 5:O Corpo e o Corpo Astral


Resposta à questão No. 1

Sem dúvidas nós estamos familiarizados com o fato de que algumas indisposições como náusea, úlceras, embaraços, problemas de pele e até mesmo pressão alta podem ter suas causas nos planos interiores ou “psíquicos”. O funcionamento do detector de mentiras e a crescente atenção à medicina psicossomática contribuíram para a aceitação do fato que nossos pensamentos e sentimentos (medo, preocupações, imaginação, etc.) podem causar efeitos previsíveis no corpo físico.

Dando apoio à crescente aceitação de que o corpo físico não pode ser tratado como um sistema isolado, muitos médicos estão desenvolvendo o que tem sido chamada de medicina “Holística”. O médico Grego Hipócrates escreveu, “é necessário possuir um conhecimento de grande abrangência para curar o corpo humano”. E no seu artigo “Hypnotism”, H. P. Blavatsky afirma, “Metade, se não dois terços das nossas enfermidades e doenças são frutos da nossa imaginação ou dos nossos desejos. Destrua os últimos e dê outra tendência aos primeiros, e a natureza fará o resto.”

O progresso na compreensão do ser humano é um sinal promissor, mas falta ainda a explicação de como o processo funciona, o que conduz os comandos vindos dos planos psíquicos às várias funções do corpo físico. O Corpo Astral faz isso, um corpo feito de material “sensível ao pensamento”, que pode tanto conduzir e traduzir os impulsos vindos da mente ao corpo e, vice-versa, do corpo à mente. Com algum conhecimento sobre este veículo eletromagnético, que está presente e ativo em qualquer forma física, a ciência da medicina poderia dar um grande salto adiante.

No seu fascinante artigo “Replanting Diseases for Future Use”, o Sr. Judge avança com a idéia de que em muitos casos, quando a doença alcança o corpo, ela está já de saída, e que medidas para ajudar neste caminho são as melhores. Entretanto, se algumas drogas ou práticas “mentais” são utilizadas para impedir esta saída natural, a doença é enviada de volta ao mundo Astral para reaparecer em algum outro momento. Um conhecimento do Corpo Astral iria certamente ajudar a compreensão disto.

Considerando a esfera da psicologia, temos que lidar com as relações entre a mente, a natureza do desejo, os sentidos e as ações corpóreas. O Corpo Astral, sendo o condutor de vários sinais, o meio conector entre estes planos, é o campo de estudo que seria de maior benefício para a ciência. A Teosofia coloca que o Ego nunca é insano, que a insanidade ocorre quando há uma quebra na cadeia de comando de cima para baixo, e vice-versa. Ela também sugere que a maioria, se não todos os extraordinários poderes psíquicos que nós ouvimos falar a respeito, assim como os fenômenos das sessões espíritas, podem ser explicados pelos poderes presentes no Corpo Astral. Muitos dos mistérios não explicados da psique humana irão desaparecer quando a existência deste princípio Astral for reconhecida e entendida.
 

 

Resposta à questão No. 2

 

 

Resposta à questão No. 3

Em seu artigo "Suicide Is Not Death," o Sr. Judge aponta que quem comete suicídio encontra-se em uma situação pior do que a que deseja escapar. Essa pessoa destruiu o seu instrumento físico, mas não está realmente morta, e tem que viver em algum outro lugar onde a lei a compele a viver para esperar que realmente morra. Ela pode viver no corpo astral, semi-morta, pelos meses ou anos que antecedem à sua morte natural. No mesmo artigo, o Sr. Judge pinta um quadro vívido da posição do suicida:

Ele se torna uma sombra; vive no purgatório, por assim dizer, chamado pela Teosofia de “lugar dos desejos e paixões”, ou “Kama Loka”. Ele existe no plano astral inteiramente, devorado pelo seus próprios pensamentos. Continuamente repetindo em seus pensamentos vívidos o ato pelo qual ele tentou parar a peregrinação da sua vida, ele ao mesmo tempo vê as pessoas e o lugar que deixou, mas não é capaz de se comunicar com ninguém, a não ser, de vez em quando, com algum pobre sensitivo, o qual freqüentemente se assusta com a sua visita. E freqüentemente ele preenche a mente das pessoas vivas que podem ser sensitivas aos seus pensamentos com a imagem da sua própria partida, ocasionalmente levando-as a cometer o mesmo ato que ele cometeu e se sente culpado...Ele é composto agora de um corpo astral,...formado e inflamado pelas suas paixões e desejos...Ele pode pensar e perceber, mas sendo ignorante de como utilizar as forças deste plano, ele é levado para lá e para cá, incapaz de orientar a si mesmo.

Os ensinamentos nos passam, entretanto, que no caso daquele que sacrifica a sua vida para a proteção de outros, ou por alguma causa claramente humanitária, este terá que esperar o tempo mencionado, mas o fará em um estado semelhante ao sono sem sonhos.

O caso da punição capital é tão feio e proibido como o suicídio. As vítimas não estão mortas e de acordo com o Sr. Judge em seu artigo “Kama-Loka---- Suicides----Accidental Deaths”:

Eles vivem novamente o seu crime e a sua punição naquele plano da luz astral no qual estão, e dali eles afetam todas as pessoas de algum modo sensitivas que possam alcançar. Especialmente em sessões espíritas eles rodeiam o médium. E qualquer um que seja naturalmente dotado com o poder de enxergar o seu plano de luz astral, ou obtenha o poder através de treinamento, pode ver e ouvir, repetidamente, as cenas de sangue e punição continuamente nas proximidades destes desafortunados.

É dito que muitos crimes cometidos no plano físico por pessoas passivas ou sensitivas foram sugeridos por essas entidades astrais, em busca de um desabafo para os sentimentos presos de raiva e vingança. Muitos criminosos confessaram que “alguma coisa me levou a fazer aquilo”. Os casos de morte acidental são similares em muitos pontos, mas certamente não tão feios. O corpo se vai e o ser está ainda vivo no corpo astral, mas não consciente disso. É dito que ele passa o tempo até a sua morte natural em um repouso profundo. Em alguns casos, entretanto, o “acidente” coincide com o momento da morte natural, o Carma do indivíduo.

Em todos os casos mencionados acima a intenção é o fator decisivo.
 

 

Resposta à questão No. 4

É compreensível que a forma e as características do Corpo Astral sejam ditadas pela Lei do Carma e pela necessidade particular àquela encarnação. O Sr. Judge diz no “Forum” Answers, p. 47, que “No momento da concepção o corpo astral, ou forma modelo, é feito, e a potencialidade de um Ego sendo capturado pela pessoa é criada”. Em vários lugares salienta-se que este corpo se modifica muito pouco durante a encarnação e existe em uma forma rudimentar antes do nascimento. O Sr. Crosbie cita o fato que o modelo do carvalho é sua fruta. O Sr. Judge expande estas idéias em seu artigo “Mesmerism” no qual ele diz:

Ela (a forma interior) se altera apenas no período entre-vidas, sendo construída no momento da reencarnação para durar o período completo da existência. Pois ele é o modelo aperfeiçoado pela dimensão evolutiva atual para o corpo externo... Então ao nascimento ele é potencialmente de um determinado tamanho, e quando este limite é alcançado ele cessa o aumento do corpo, tornando possível o que conhecemos hoje como tamanhos e pesos médios. Ao mesmo tempo o corpo externo é mantido em forma pelo interno até o período da decadência. E esta decadência, seguida pela tual de funcionamento no corpo físico. Essas camadas inferiores da Luz Astral são, conforme ensinado, preenchidas com imagens das mais nocivas e corruptas, e pensamentos e ações viciosas do homem. Uma vez que abrirmos essa porta é praticamente impossível fechá-la novamente. Falando a respeito da mediunidade, o Sr. Judge traz alguns pontos interessantes sobre a “projeção astral” no Ocean, p. 151:

O corpo astral do médium, partilhando da natureza da substância astral, pode ser estendido do corpo físico, agir fora dele, e pode até expulsar de vez em quando qualquer porção de si mesmo como um braço, uma mão, ou perna, e assim mover objetos, escrever cartas, produzir toques no corpo e assim em diante ad infinitum... A mediunidade é cheia de riscos porque a parte Astral do homem atual é apenas normal em ação quando unida ao corpo; em um futuro distante ele irá agir normalmente sem o corpo físico, assim como foi no passado longínquo. Tornar-se um médium significa que você deve tornar-se desorganizado fisiologicamente e no sistema nervoso, porque através do último se dá a conexão entre os dois mundos. No momento em que se dá a abertura da porta, todas as forças desconhecidas se precipitam, e como a parte mais bruta da natureza está mais próxima de nós, é esta parte que nos afeta mais; a natureza inferior também é afetada e inflamada primeiro porque as forças utilizadas são desta parte nossa. Nós estaremos então a mercê dos pensamentos vis de todos os homens, e sujeitos à influência das camadas de Kama Loka.

A maior parte, se não tudo o que foi mencionado nesta passagem pode ser aplicado à projeção ou viagem astral. Há um duplo perigo adicional aos que tentam deixar o corpo completamente. Os ensinamentos previnem que se uma pessoa não estiver completamente familiarizada com as leis pertencentes ao mundo astral, não é seguro tentar deixar o corpo e “viajar” a qualquer distância; que alguém que não saiba como reentrar pode terminar em insanidade ou possessão por outra entidade do plano astral. H. P. Blavatsky fala de casos nos quais a morte foi o resultado da incapacidade de voltar à atividade normal. Nenhuma destas eventualidades parecem valer a novidade destas práticas.

Em um módulo posterior serão abordados os fenômenos psíquicos, seu lugar, desenvolvimento e riscos. É suficiente dizer por agora que uma vez que tenhamos entendido as leis envolvidas, controlado a nossa natureza inferior, purificado nossas intenções e livrado-nos qualquer mancha egoísta, então o próximo e natural passo em nossa evolução será iniciar o processo de “extrair” o nosso corpo astral do físico e dar um passo adiante na emancipação dos poderes da Alma.
 

 

Resposta à questão No. 6

Como no corpo físico, ou em qualquer corpo, o sinal de saúde perfeita é a harmonia completa entre as várias partes ou funções do corpo astral. A doença é a condição que surge quando uma ou mais partes do todo, por uma razão ou outra, começam a agir de modo que vai contra a harmonia do todo. O câncer é um exemplo perfeito do que a Teosofia chama “pecado da separação”. Este mesmo princípio pode ser relacionado ao cuidado com o corpo astral. Como a harmonia ou a saúde são mantidas?

O corpo astral está sujeito às forças de duas direções. Ele é afetado de cima pelo nosso pensar e por nossos desejos, e é afetado de baixo pelos nossos sentimentos.

A configuração do nosso modo de pensar a respeito dos outros, da natureza e de nós mesmos é um padrão que toma residência em alguma parte da nossa natureza. Na verdade a atitude se inicia no plano mental e trilha o seu caminho pelo nosso sistema, através do nosso corpo astral e para fora em direção ao físico. Este pensar e sentir podem ser harmoniosos ou desarmoniosos, e os efeitos serãosentidos em cada parte da natureza. A resposta, é claro, é que se nós baseamos nosso pensar na compreensão da Irmandade Universal, nós estaremos fazendo o melhor que podemos com o objetivo de nutrir o corpo astral.

Outra força que afeta o corpo astral vem da mente, mas ela parece operar através dos sentidos. Ela é chamada apego, apego aos objetos do sentido. Isto tem o efeito de cimentar os sentimentos interiores aos exteriores, e inibir a emancipação gradual destes sentidos astrais dos sentimentos físicos grosseiros. Talvez isso não possa ser chamado de doença, mas é uma privação que não permite que os poderes interiores trabalhem para nós. O desapego aos objetos do sentido é mencionado no Bhagavad-Gita como uma das chaves para o desenvolvimento superior. Isto iria certamente cancelar o efeito separativo de deixar os sentimentos dominarem as nossas ações, e traria saúde ao corpo astral. A concentração, a calma, a meditação sobre a realidade da Irmandade Universal e o Eu Superior, as idéias e sentimentos altruístas; todos estes são “alimentos saudáveis” para a natureza pessoal, da qual o corpo astral é parte.
 

 

Se o nosso apego a qualquer objeto dos sentidos for forte o suficiente para ditar as nossas ações, esta não é apenas uma forma de escravidão, mas é o reforço de uma falsa idéia do que é real e o que é efêmero. O apego está construído na idéia de que as respostas aos nossos sonhos e problemas encontram-se fora de nós, estão em alguma coisa que é “outra” que não nós mesmos. Todos os Grandes Mestres concordaram que a realidade pode ser encontrada apenas internamente, que o destino sem limites de cada um de nós deve ser encontrado através da percepção do nosso próprio Eu Superior.
 

 

Resposta à questão No. 8

No Key to Theosophy, p. 203, H. P. Blavatsky afirma, “Na realidade não existe tal coisa como a ‘separatividade’; a abordagem mais próxima a esse estado egoísta, o qual a lei permite, é a intenção ou o motivo.” E em muitas circunstâncias a intenção parece ser o fator que determina se uma ação ou pensamento é uma ajuda ou um dissuasor da Alma em evolução. Nós percebemos que a intenção altruísta é aquela que deveríamos ter, e assim pensamos como alguém pode criar tal intenção, ou modificar uma intenção de egoísta à altruísta. É difícil chegar a uma resposta imediata.

O passo seguinte, conforme esperado, é a prática. As idéias devem ser construídas em nossa natureza e em nossas ações diárias. Por isso tanto H. P. Blavatsky quanto o Sr. Judge reforçaram a importância de realmente entender as duas leis do Carma e da Reencarnação. Estas leis têm o poder de mover as pessoas à ação correta, à compreensão do fato da Irmandade Universal, das verdades a respeito do nosso verdadeiro ser. Esta é causa do principal trabalho do atual Movimento Teosófico ser a promulgação e a explicação destes dois princípios básicos.

Na primeira mensagem de H. P. Blavatsky aos Teosofistas Americanos ela expressou a sua esperança e sua fé na possibilidade de elevação das intenções da nossa era em um nível mais verdadeiro. Ela afirmou nas First Messages to the American Theosophists 1888:

A função dos Teosofistas é abrir o coração e a compreensão dos homens à caridade, à justiça e à generosidade, atributos que pertencem especificamente ao reino humano e são naturais do homem quando ele desenvolve as qualidades de ser humano. A Teosofia ensina o homem-animal a ser homem-humano; e quando as pessoas tiverem aprendido a pensar e sentir como verdadeiros seres humanos devem pensar e agir, elas irão agir humanamente, e os trabalhos de caridade, justiça, e generosidade serão realizados espontaneamente por todos.

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Módulo 6

Estados Após a Morte

Eu mesmo nunca deixei de existir, nem vós, nem todos os príncipes da terra; nem iremos, futuramente, cessar de existir. (Krishna no Bhagavad-Gita)

Para apreciar e se beneficiar da luz que a Teosofia lançou sobre a passagem tão incompreendida que nós chamamos de morte, é necessário que tenhamos em mente alguns enunciados axiomáticos, os detalhes que serão apresentados conforme iremos prosseguindo. O primeiro é o fato de que o Ego, o homem real, a consciência, nunca morre. Segundo, ele não vai a lugar algum, mas experimenta mudanças de estado, diferentes estados de consciência. Terceiro, a natureza e o caráter destes estados são em grande medida o resultado do seu próprio pensar e agir enquanto no corpo. E quarto, a morte não representa nada a ser temido, mas sim um interlúdio necessário, benéfico, e, com poucas exceções, delicioso e revigorante.

O QUE OCORRE NO MOMENTO DA MORTE?

Controvérsias recentes sobre qual o momento certo de interromper os sistemas de suporte à vida nos casos terminais destacaram o fato de que tanto os setores médicos quanto os religiosos estão questionando o momento exato da morte. Os padrões antigos não encontram mais aceitação e muitos estão começando a acreditar que a situação associada ao evento morte é muito mais complexa do que estamos acostumados a crer. A existência de mais aspectos associados a este evento é delineada pelo Sr. Judge na página 99 do Ocean of Theosophy no qual ele afirma:

A respiração deixa o corpo e nós dizemos que o homem está morto, mas este é apenas o começo da morte; ela continua em outros planos. Quando o corpo está frio e os olhos fechados, todas as forças do corpo e da mente correm para o cérebro, e por uma série de quadros a vida inteira que termina é impressa indelevelmente no homem interior, não apenas em um apanhado geral, mas até o menor detalhe de um simples minuto e da mais fugaz impressão. Neste momento, embora todas as indicações levem os médicos a declarar a morte e para todos os propósitos a pessoa estar morta para esta vida, o homem real está muito ocupado no cérebro, e não antes do seu trabalho terminar a pessoa se vai. Quando este trabalho solene está terminado, o corpo astral se destaca do físico e, tendo partido a energia da vida, os cinco princípios remanescentes estão no plano de kama loka.

Este plano é o plano astral que rodeia e penetra a terra, e estende-se a uma distância moderada dela. Neste nível ele é um lugar, mas não como nós definimos lugar, já que as mesmas leis de tempo e espaço não são aplicáveis ali. Além do mais, devido a estas e outras condições, um outro estado de consciência é necessário.

Na morte a separação começa quando o corpo e a vitalidade corpórea são abandonados. Neste ponto duas coisas acontecem. Um: as memórias dos planos interiores se tornam vivas, adquirem movimento, realidades ativas, e devido a isso nós não ficamos conscientes da mudança. E dois: a mudança é uma mudança de estado de consciência. Sem o corpo, apenas uma parte ou aspecto da nossa consciência pode se manifestar, e sem os contrastes da vida corpórea nós somos incapazes de realizar julgamentos. Nós apenas experimentamos o estado.

Em Kama-Loka o Corpo Astral coalesce com a Natureza Desejosa, formando uma entidade conhecida como Kama-Rupa, o repositório de todos os desejos e aversões da última vida. Ele é um corpo do qual o Ego tem que se soltar enquanto experimenta o indisfarçável cortejo das representações pictóricas destes sentimentos. Ele é chamado lugar do desejo, e o desejo desprovido de inteligência é a força dominante.

A menos que haja um apego exagerado a esta natureza, o Ego se liberta, nós nos libertamos deste “purgatório” em um tempo relativamente curto, e “caímos”, por assim dizer no Devachan. O corpo dos desejos, Kama-Rupa, finalmente passa pelo mesmo processo de desintegração que ocorre com o corpo físico. O Ego não tem que esperar por isso para se completar, mas ele irá encontrar a força e o caráter desses desejos na forma dos chamados Skandhas, que formam os novos veículos na encarnação. A constituição destes estados pós-morte é infinitamente variada, e nenhuma descrição definida iria ser precisa, uma vez que eles dependem inteiramente das condições da última vida que se passou. Kama-Loka é um estado completamente pessoal e subjetivo.
 

 

O QUE OCORRE COM O KAMA-RUPA?

A vida do Kama-Rupa depende da intensidade dos desejos que o constitui. Se eles são fortes, ele durará como uma entidade por um longo período no plano astral; se não, irá flutuar sem objetivo ao redor e logo se desintegrará. Sendo formado a partir do Plano Astral, ele tem a facilidade de reter as memórias da última vida. Em seu artigo “A Student's Notes and Guesses”, o Sr. Judge salienta que “O plano astral é o solvente e o armazém das formas, idéias e memórias do homem e da natureza, e de todos os hábitos e da hereditariedade”. Então, se a tendência em direção às práticas psíquicas foi estabelecida durante a vida, este corpo pode ser atraído às salas de sessões espíritas e forçado a expelir suas memórias. Os psíquicos freqüentemente enganam este “banco de memórias” astral das almas que partiram, uma vez que sob certas circunstâncias este Kama-Rupa pode ser forçado a repetir o que possui nos seus registros como um gravador pode extrair pode que está gravado na fita. Mas a Alma, o Ego, não está ali. Ele partiu para um estado no qual não pode ser contatado ou perturbado.

Estes Kama-Rupas nos afetam? Não a menos que permitamos. Não a menos que deixemos a porta aberta a eles. Eles são massas coerentes de desejo, inveja, luxúria, etc., que não têm vontade ou direção. Eles estão dentro da atmosfera psíquica da terra e irão, se deixados sozinhos, morrer de inanição. Entretanto, para aqueles que são passivos, que não mantém o controle das suas mentes, e para aqueles que se “interessam” por práticas psíquicas, eles são uma ameaça constante. Eles são uma fonte constante dos piores tipos de pensamentos. É dito que nós atraímos estes pensamentos quando temos fortes sentimentos de ódio, inveja, luxúria, etc. Aparentemente este é o modo que alimentamos e sustentamos estas entidades sem consciência.

Uma última palavra: em Kama-Loka nós não produzimos Carma, nem pagamos Carma negativo ali. No senso estrito ele é um estado de conseqüência, e nós não realizamos qualquer progresso ali; e virá o tempo em que nós não precisaremos passar por tal estado. É um processo de separação, separação de todo o egoísmo e dos aspectos ruins última vida, de modo que o Ego possa desfrutar do necessário descanso no Devachan. E quando esta separação tiver ocorrido, os seres caem em um estado de inconsciência logo antes da mudança para o próximo estado, e então acordam para os “Prazeres do Devachan”.
 

 

O QUE É O DEVACHAN?

Embora a palavra signifique a “morada dos deuses”, o Devachan não é um lugar e não pode ser limitado a nenhuma localização. Similar ao sonho, ele é um estado de consciência, um estado puramente pessoal e subjetivo que não está sujeito a nenhuma interferência externa. E desde que cada indivíduo cria o seu próprio Devachan, estes são de infinita variedade e descrição, cada um se encaixando nas necessidades do indivíduo envolvido.

O ato que nos envia ao Devachan é a nossa saída do Kama-Rupa e a sua natureza inteiramente desejosa. Isto nos deixa apenas com o bem, o altruísmo, o espiritual. Nós somos então constituídos da tríade superior e todo o bem que trouxemos conosco da nossa última vida. Nós não temos natureza “Inferior” e conseqüentemente nem mesmo as memórias de qualquer sentimento egoísta. Estando desimpedidos da vida terrena, estamos livres para desenvolver e expandir as nossas elevadas aspirações, e para construir a essência delas em nossa natureza Buddhica. Estas afirmações da Doutrina Secreta (Vol. I, p. 243-4) devem lançar uma luz adicional ao processo:

1 Manas é imortal, porque após cada encarnação ela adiciona a Atma-Buddhi algo de si mesma, e assim, assimilando-se à Mônada, compartilha da sua imortalidade.

2 – Buddhi se torna consciente pelos acréscimos que recebe de Manas após cada nova encarnação e morte do homem.

3 – Atma não progride, esquece ou se lembra. Atma não pertence a este plano: é apenas o raio da luz eterna que brilha sobre e através da matéria, quando esta assim anseia.

É precisamente por que estamos desimpedidos das pressões conflitantes que o descanso para a alma pode ser produzido. Aparentemente, nossa natureza superior é tal que ela adquire seu descanso realizando atos e pensamentos altruístas. No Ocean, p. 110, o Sr. Judge adiciona:

Agora o Ego, sem o corpo mortal e kama, veste a si mesmo no devachan com uma vestimenta que não pode ser chamada de corpo, mas pode ser qualificada de meio ou veículo, e assim opera no estado do devachan inteiramente no plano da mente e da alma. Tudo é tão real para o ser como este mundo parece ser para nós. Ele simplesmente tem agora a oportunidade de fazer o seu próprio mundo desembaraçado das obstruções da vida física. O seu estado pode ser comparado ao do poeta ou o artista que, arrebatado pelo êxtase da composição ou da disposição das cores, perde a noção e a preocupação com o tempo ou os objetos do mundo.

Durante a vida nós estamos estabelecendo causas tanto no mundo externo e objetivo quanto no mundo interno e subjetivo. Estes estados ou impulsos psíquicos, estas elevadas inclinações e aspirações da alma, se não colocadas em prática no mundo objetivo, devem encontrar sua resolução no mundo subjetivo. Elas devem, de acordo com o Sr. Judge, “ser a base, a causa, o substrato e o apoio para o estado do devachan”.

Tudo o que o Ego desejou de bom durante a vida, desejos puros e altruístas; todas as esperanças e aspirações elevadas que concebeu durante a vida como a existência ideal, pessoal e espiritual; aqui encontram a sua frutificação. Elas formam a substância a partir da qual o Ego cria e recria, pelo poder da sua agora ativa imaginação espiritual, o seu próprio mundo, cuja população é formada, em sua percepção, de seres e vidas reais. É uma existência de sonho, ainda que seja tão real que nada ou ninguém pode provocar nele a percepção de que ela é auto-criada e .0pt; margin-left:0cm">Para aqueles que acreditam no conceito dos “Portões de Pérola”, isto irá dar cor às suas criações neste estado. Para aquele cujo maior desejo na vida foi se colocar a serviço dos seus irmãos humanos, o seu descanso será uma seqüência irrestrita destas oportunidades. No seu artigo “Life and Death”, H. P. Blavatsky afirma, “A morte é um descanso. Após a morte, se inicia para os nossos olhos espirituais a representação de um programa que foi aprendido pelo nosso coração em nosso tempo de vida, e foi algumas vezes inventados por nós, a realização prática das nossas verdadeiras crenças, ou das ilusões criadas por nós mesmos”. Nós não podemos, nos estados após a morte, experimentar nada que não seja encontrado nas experiências, percepções e crenças da última vida.
 

 

UMA PESSOA DEVE ACREDITAR NA CONTINUIDADE DA VIDA PARA TER UMA?

No mesmo artigo H. P. Blavatsky afirma, “De modo a viver uma vida consciente do outro lado da sepultura, o homem deve ter adquirido a fé neste mundo, durante a vida terrestre”. Isto não significa que uma pessoa que não acredita não irá ter uma experiência pós-vida. Significa que ela não a experimentará conscientemente. No “Mysteries of the After Life” ela continua ao dizer, “O Ego recebe sempre de acordo com o seu merecimento. Após a dissolução do corpo, se inicia para ele um período de total clareza de consciência, ou um estado de sonhos caóticos, ou ainda um sono absolutamente sem sonhos, indistinguível da aniquilação; e estes são os três estados de consciência”.

A imortalidade consciente é uma condição que deve ser construída por cada individuo, e ela deve ser construída enquanto no corpo físico. Uma pessoa pode professar a crença no “paraíso” e ainda assim não acreditar nele. Outra pode ser completamente materialista no exterior e ainda assim ter um sentimento prolongado de que a consciência simplesmente não se apaga como uma luz. Em ambos os casos é o sentimento interior que irá determinar e dar cor à condição do Devachan. Nossos estados pós-morte estão em nossas mãos, e embora nós não devêssemos gastar nosso tempo imersos neles, seria sábio para nós entender o seu propósito, quais leis operam e quais os efeitos do nosso pensar e agir aqui na vida diária sobre eles.
 

 

NÓS ENCONTRAMOS NOSSOS ENTES QUERIDOS NO DEVACHAN?

Na página 170 do Answers to Questions, o Sr. Crosbie responde a esta questão diretamente. Ele diz “Não há nenhum contato entre seres no estado devachanico; de outro modo seria uma existência objetiva e não subjetiva. Também não existem possibilidades da alma experimentar a condição do paraíso, onde há contato com outros seres, já que este contato é a fonte da maioria dos problemas que temos”. Entretanto, nós veremos que esta não é a resposta completa, conforme vemos o que coloca H. P. Blavatsky no Key, p. 146. Ela afirma “Nós dizemos que esta bênção do Devachanee consiste na completa convicção de que não se deixou a terra, e que não há tal coisa como a morte; que a consciência espiritual pós-morte da mãe irá representar para ela uma vida rodeada das suas crianças e todos aqueles que ela amou; que nenhuma lacuna, nenhuma ligação será sentida como perdida, para tornar o seu estado desencarnado da mais perfeita e absoluta felicidade”. Neste estado nossos entes amados e mesmo aqueles por quem tivemos um pequeno sentimento de amor, estarão conosco sem erro. Nós os veremos da melhor luz possível, e assim nos trazendo felicidade, descanso para a Alma.

Nós estaremos completamente livres de qualquer dor, problema ou tristeza, e estaremos até mesmo livres de saber que existem tais condições, porque mesmo a consciência de que exista algo como a tristeza iria nos negar o merecido descanso e o propósito deste estado. Mas H. P. Blavatsky salienta um ponto adicional interessante na p. 150 do Key. Ela afirma:

Nós estamos com aqueles que perdemos na forma material, e muito, muito mais perto deles agora do que quando eles eram vivos. E não apenas na fantasia do Devachanee, como alguns poderiam imaginar, mas em realidade. Pois o puro amor divino não é apenas a flor de um coração humano, mas tem suas raízes na eternidade. O amor espiritual completo é imortal, e o Carma traz, mais cedo ou mais tarde, todos aqueles que se amaram com verdadeira afeição espiritual a encarnar uma vez mais no mesmo grupo familiar. Novamente nós afirmamos que o amor além da morte, da ilusão, tem uma potência mágica e divina que reage sobre os vivos. O Ego de uma mãe cheio de amor pelas crianças imaginárias que ela vê perto de si mesma, vivendo uma vida de felicidade, tão real para ele como quando na terra, este amor irá sempre ser sentido pelas crianças na carne. Ele se manifestará em seus sonhos, e freqüentemente em vários eventos, em proteções e escapes providenciais, porque o amor é um forte escudo, e não é limitado pelo espaço ou tempo.
 

 

QUANTO DURA O DEVACHAN, E O QUE DETERMINA A SUA DURAÇÃO?

Pela mesma razão que a Filosofia não pode oferecer uma descrição que se encaixe em cada estado Devachanico, ela não pode afirmar o tempo exato de duração da permanência neste estado. O tempo é dependente das causas estabelecidas ao longo da vida do Ego envolvido. Para alguns o tempo pode ser bastante curto, alguns poucos anos ou até meses. Para outros, pode ser de milhares de anos. Na página 145 do Key, H. P. Blavatsky responde a esta questão afirmando, “Isto, nos foi ensinado, depende do grau de espiritualidade e mérito ou demérito da última encarnação. O tempo médio vai de 10 a 15 séculos”. O Sr. Judge enfatiza o fato de que este é um valor médio, e não um número definido.

Também é explicado que o tempo não tem a mesma conotação naquele estado como o que temos aqui. Para o Devachanee não existe a percepção do que nós conhecemos como tempo. Ele é consciente apenas da passagem dos eventos, a seqüência de experiências. Não possuindo conceito de tempo, o Devachanee não tem sentimentos de ansiedade, impaciência ou tédio, já que ele está completamente absorto no desfrute das suas próprias criações.

A extensão do tempo no Devachan depende de quanto se leva para trabalhar ou expender os impulsos psíquicos que foram gerados durante a vida. Como explicado anteriormente, os impulsos gerados no plano subjetivo devem ser trabalhados naquele plano. Se nos envolvemos em muitos sonhos, sonhos a respeito do que gostaríamos de ser e fazer, se pensamos muito sobre tirar um longo período de descanso ou férias, e se fazemos pouco para transformar estes sonhos em realidade, então nós provavelmente iremos permanecer um longo tempo nesse estado subjetivo, trabalhando e desfrutando essa deliciosa ilusão. É dito que no Oriente existem práticas especiais designadas a dar aos indivíduos uma longa estada longe dos rigores da vida terrena.

Entretanto existe o outro lado da situação. Para aqueles que encontram prazer no seu trabalho, que colocam seus sonhos em prática ou se desfazem deles, e que estão sempre desejosos de voltar ao trabalho, o seu Devachan, embora adequado ao descanso da Alma, será relativamente curto. No Answers to Questions, p. 171, o Sr. Crosbie salienta um ponto adicional. Ele afirma:

As entidades são mantidas no devachan pela própria força do seu estado de felicidade; elas não têm qualquer incentivo para sair dali; apenas quando a força das suas aspirações de vida é exaurida elas emergem dali. Este é o caso da maioria dos seres, mas se uma entidade de natureza forte e limpa entra neste estado com o desejo de ser útil na terra em forma corpórea, ela pode ser despertada do seu sono para assumir um corpo por aqueles Adeptos cuja função é desempenhar tais serviços. Estes Adeptos são seres livres que qualquer ilusão e não entram no estado devachanico, mas são capazes de agir conscientemente em todos os planos da existência. Assim, eles, e somente eles, podem entrar em contato real com os seres no devachan.

Esta citação enfatiza a afirmação de que, uma vez que uma entidade esteja no devachan ela não pode, por si mesma, voltar ou se comunicar com qualquer um ou qualquer coisa neste plano objetivo de existência. Isto iria contra o inteiro propósito do Devachan. Uma aparente exceção a isto é o caso da pessoa moribunda que aparece a alguém próximo ou amado no momento da sua morte. Em “Dialogues Between the two Editors” H. P. Blavatsky explica deste modo. “Se ela pensa muito intensamente, no momento da sua morte, na pessoa que ela está muito ansiosa para ver, ou ama muito, ela pode aparecer para esta pessoa. O pensamento se torna objetivo; o duplo, ou a sombra de um homem, sendo apenas a representação fiel deste, como o seu reflexo em um espelho, repete o que a pessoa faz, mesmo em pensamento.” Ela vai além ao explicar que também é possível a um “sensitivo”, pela simpatia ou pelo ódio, evocar esta aparição através da intensidade de pensamento. Mas novamente, o Ego, o ser real, se foi e não pode ser contatado. E quem iria querer incomodar uma alma que partiu?
 

 

QUANDO NÓS PRECISAMOS MORRER?

Nos tempos que virão, quando tivermos superado nossa crença na realidade da matéria e nosso apego às formas que constituem esta existência, e quando tivermos produzido o hábito de colocar nossas boas intenções em prática imediatamente, então não haverá necessidade de Devachan. Mas nesta era de ferro a Alma precisa de um descanso das batalhas desta vida. Manas, uma vez que as limitações colocadas nela pelas prisões físicas e astrais sejam liberadas, expande-se e sente-se livre para operar em um modo próximo à sua verdadeira natureza.Durante a vida nós não podemos, não transformamos em ação nem uma fração dos pensamentos que temos; nem podemos exaurir as energias psíquicas que produzimos. No Echoes from the Orient p. 55 o Sr.Judge afirma, “Nenhuma energia pode ser aniquilada, menos ainda as energias psíquicas; estas devem em algum lugar encontrar o um ponto de escape. Ele se encontra no Devachan; esta realização é o descanso da alma.”

Outra razão pela qual a morte é um processo necessário e que este é o único modo pelo qual podemos progredir a uma nova e melhor forma e situação. Nós certamente não gostaríamos de permanecer eternamente nos corpos e condições atuais, e é apenas pela compreensão de que todas as formas morrem, que a morte está ocorrendo o tempo todo, que nós podemos começar a viver no mundo do Espírito.
 

 

NÓS PROGREDIMOS APÓS A MORTE?

No sentido Cármico, não há progresso após a morte. O Carma não é produzido nem saldado nestes estados, uma vez que o Ego não está realizando escolhas nestes períodos. Entretanto, há progresso em outro sentido. O fato de que o Ego está assimilando o melhor da sua última vida é um modo de progresso. Este é um passo muito importante no progresso Espiritual do indivíduo, e, embora um efeito, é muito necessário. As formas devem ser destruídas, mas a inteligência, as idéias, o despertar deve ser retido na natureza Buddhica.

Uma idéia correspondente para ser compreendida é a de que os eventos no Devachan não estabelecem o aspecto ou o caráter da próxima vida. É o nosso Carma e a lei da economia que estabelecem estas condições. Entretanto, existem aqueles que, no final do período no Devachan, têm alguma influência na próxima vida.

A Teosofia ensina que quando as forças psíquicas foram exauridas, gastas no seu limite, as forças de Tanha, a sede pela vida, empurram o Ego de volta à encarnação. Mas antes da encarnação real há um breve período quando o Ego, livre de todas as personalidades, consciente no seu mais elevado grau, recebe uma visão de todas as causas que o conduziram à presente condição, assim como as circunstâncias resultantes que irão constituir a próxima encarnação. Neste breve momento o Ego vê a justiça do que está diante dele e, nos foi ensinado, entra de boa vontade no caminho do trabalho pela humanidade.
 

 

MAS O QUE A MORTE REVELA?

Em resposta a essa questão nós não podemos fazer melhor que citar uma carta escrita por um dos Mestres, impressa por H. P. Blavatsky em Seu artigo “Memory in the Dyind”. Ela afirma:

No último momento, a vida inteira é refletida em nossa memória e emerge de todos os cantos e refúgios escondidos, imagem após imagem, um evento após o outro. O cérebro moribundo expulsa a memória com um impulso forte, supremo; e a memória restaura fielmente cada impressão que foi confiada a ela durante o período de atividade do cérebro. As impressões e pensamentos mais fortes naturalmente se tornam as mais vívidas, e sobrevivem, por assim dizer, a todo o resto, que agora desaparece para sempre, para retornar somente no Devachan. Nenhum homem morre louco ou inconsciente, como alguns psicólogos afirmam. Mesmo um louco ou alguém em um quadro de delirium tremens terá este instante de perfeita lucidez no momento da sua morte, embora seja incapaz de dizer isso aos presentes. O homem pode freqüentemente parecer estar morto. Depois da última pulsação, e entre o último batimento do seu coração e o momento em que a centelha de calor animal deixa o corpo, o cérebro pensa, e o Ego vive, nestes breves momentos, toda a sua vida novamente.

Este é o resumo do que cada ser passa durante a morte. Muitos estiveram próximos o suficiente da morte para relatar este quadro, mas os nossos psicólogos ainda têm que dar uma explicação adequada ao fenômeno. No seu artigo citado anteriormente, H. P. Blavatsky oferece uma afirmação interessante a respeito do que ocorre. Ela diz “Talvez isso não se dê pelo simples fato de que, por uns poucos segundos pelo menos, nossas duas memórias (ou melhor nossos dois estados de consciência, o superior e o inferior) se fundam, assim formando um, e que o ser moribundo encontra-se em um plano no qual não existe passado ou futuro, mas tudo está presente?”
 

 

O QUE DEVEMOS FAZER NO MOMENTO DA MORTE?

Certamente no momento da morte tanto os vivos como os moribundos necessitam do poder mantenedor do conhecimento claro ou da convicção do que está acontecendo. Aqueles que estão sendo deixados para trás devem ter alguma base para as suas ações neste momento de possível crise emocional.

Conforme vimos anteriormente, a morte é um momento de concentração e sabemos que a concentração não é fácil para nenhum de nós. O Ego de partida tem muito a fazer e necessita de toda forma de ajuda. Ele deve ser deixado sozinho, quieto e sem perturbações enquanto o processo ocorre. Os professores ensinaram que o “corpo” deve permanecer sem perturbações por “pelo menos” doze horas, uma vez que Manas está ocupada mesmo muito depois que todos os sinais apontam para a morte. E como a ciência moderna não chegou a um acordo sobre quando exatamente a pessoa está morta, é sábio dar a Manas todo o tempo que ela necessita.

Outra questão concerne à disposição do corpo. A cremação foi introduzida no Ocidente pelos Teosofistas não apenas porque ela é o mais limpo e higiênico método para desfazer-se do corpo, mas é o menos caro e na verdade o melhor para a Alma de partida. A cremação não tem efeitos diretos sobre o Ego, nem sobre qualquer dos seus veículos. Mas ela tem um efeito indireto em liberar o astral e lhe dar a chance de se dissipar mais rapidamente e entrar no processo de reciclagem.

Ano após ano a cremação ganha maior aceitação e, tomara, ela irá um dia substituir as práticas inúteis e dolorosas que a superstição nos impôs. A morte deveria ser um momento quieto porém prazeroso, um momento para pensar não na forma, mas no espírito que deu vida à forma.

ÚLTIMAS PALAVRAS

Observando estas afirmações feitas pelo Sr. Judge no Echoes from the Orient, p. 56, nós sentimos que elas deveriam ser incluídas como uma nota a respeito do que a é vida afinal. Ele diz

Quando um homem morre, o cérebro morre por último. A vida ainda está ocupada ali após a morte ser anunciada. A alma organiza todos os eventos passados, alcança o resumo total, a tendência média se sobressai, a esperança dominante é vista. O seu aroma final forma a linha central da existência Devachanica. O homem morno não vai nem ao céu nem ao inferno. A natureza o expele para fora da sua boca. A distribuição Devachanica é governada pela intenção determinante da Alma. Aquele que odeia pode, por reação se tornar aquele que ama, mas o indiferente não tem propulsão, nenhum crescimento.

Após pensar muito a respeito da morte, estas afirmações e outros escritos nos levam a pensar a respeito da vida e a tolice de levar uma vida inútil. Nós gostaríamos de citar Henry David Thoreau sobre o que ele pensava ser a vida:

Eu não conheço fato mais encorajador que a capacidade inquestionável do homem em elevar a sua vida através do esforço consciente. É uma coisa ser capaz de pintar um quadro particular, ou esculpir uma estátua e assim produzir alguns objetos de beleza; mas é muito mais glorioso esculpir e pintar a própria atmosfera e o meio pelos quais nós vemos, o que moralmente podemos fazer. Afetar a qualidade do dia, esta é a mais elevada das artes. A cada homem é dada a tarefa de fazer a sua vida, mesmo em seus detalhes, digna de contemplação dos seus momentos mais elevados e críticos.

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Nós fizemos citações de três artigos de H. P. Blavatsky que contém muitas informações interessantes sobre este assunto. Eles são “Memory in the Dying”, “Mysteries of the After Life”, e “Dialogues Between the Two Editors”. Nós sabemos que você irá encontrar outras passagens muito interessantes se puder lê-los.

The Key to Theosophy, de H. P. Blavatsky, salienta muitos pontos sobre este assunto que não podem ser encontrados em nenhum outro lugar. E, é claro, The Ocean of Theosophy de Wm. Q. Judge e o Answers to Questions on the Ocean of Theosophy de Robert Crosbie são excelentes fontes de ensinamentos básicos colocados em uma forma compreensível.

 

QUESTÕES SOBRE O MÓDULO 6

1 - Como nós podemos melhor nos preparar, e aos nossos entes queridos, para a morte e o que irá acontecer naquele momento?

2 - Quais são alguns dos efeitos que o medo da morte pode trazer em nosso viver diário?

3 - Qual a importância de manter a mente ativa e não permitir que nos tornemos passivos?
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Tradução: Marcelo Pagliarussi (marcelo@nit.ufscar.br)
 

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