Curso de Filosofia Esotérica

Módulo 2 

Carma


 
 

Esta página contém:

Respostas às questões apresentadas no Tópico 1 – Reencarnação

Material sobre o Carma

Questões sobre o Carma


Resposta às questões do Módulo 1 - Reencarnação

Resposta à questão no1

Inicialmente podemos considerar que seria injusto se os erros cometidos por qualquer pessoa, em qualquer lugar, ficassem sem correção. Instintivamente nós sentimos que alguma coisa está errada se a justiça não é feita, e, se em algum lugar, de algum modo, não houver recompensa por atos de bondade, assim como por atos de natureza oposta à bondade. 

Além disso, nós devemos lembrar que desde que nossos atos são cometidos aqui durante a encarnação, com e sobre outros seres ao nosso redor, é lógico que o efeito ou a conseqüência destes atos deve estar aqui, e com os mesmos seres, e não em algum Paraíso ou Inferno distantes. Afortunadamente, a reencarnação nos conduz à situação, às condições e à companhia daqueles seres mais prováveis de nos oferecer a oportunidade de compreender o caráter e o significado daqueles atos e pensamentos que enviamos --- e, se possível, aprender a partir da experiência. Nenhuma outra pessoa gerou as causas, e ninguém deveria ser chamado a experimentar os seus efeitos.

Desde que não temos nenhuma dificuldade em aceitar as coisas boas que nos ocorrem como algo que nós justamente merecemos, por justiça nós deveríamos também aceitar as coisas "não tão boas" como nossas. Se tomarmos a posição do eterno Ego Reencarnado, poderemos aprender e tirar vantagem de ambas as situações.

Mas para explicar de maneira mais detalhada, deve ser lembrado que a pessoa ou a personalidade em qualquer vida é apenas um instrumento, um veículo, montado e utilizado pelo Ego para o contato com a vida neste plano --- para adquirir experiência, aprender e ajudar as vidas, aquelas inteligências que constituem as formas que nós utilizamos. Durante a encarnação, no entanto, um processo interessante ocorre. O Ego delega não apenas responsabilidade mas também autoridade a este "eu" inferior, como o dono de uma empresa iria delegar responsabilidade e autoridade ao seu gerente com o objetivo de treiná-lo; mas em todos os casos a responsabilidade final permanece com o Ego. O que quer que o "trainee" faça, com sabedoria ou estupidez, voltará em última instância ao responsável, o Ser Reencarnado. É nesta Consciência do Ego que todas as percepções e aprendizados reais ocorrem, e é nesta mesma Consciência do Ego na qual o retorno das experiências, não importa de qual encarnação elas venham, deverá ficar registrada e sofrer seus efeitos.

Seria muito ruim para nós se pudéssemos lembrar os detalhes de nossas vidas passadas, das vidas que causaram as circunstâncias que estamos vivendo agora. Grande parte da nossa atenção iria ser gasta revivendo os problemas e vivenciando sensações boas ou más a respeito deles. É suficiente para nós conhecer a essência ou as imposições do retorno do Carma, reconhecendo-o como algo que colocamos em movimento, algo que nos pertence. E isto se torna uma parte do padrão de nosso viver, uma vez que nós compreendemos as razões por trás dos efeitos retornantes, e o trabalho por trás da Lei.

É esta permanência, o "Eu" real que nunca morre que conduz as experiências e a memória essencial de uma vida a outra. Uma vez que possamos nos colocar na posição desta individualidade interna que periodicamente ocupa e utiliza as personalidades para ganhar experiência e aprendizado, então nós seremos aptos a ver e apreciar que esse é o único meio através do qual a justiça eterna pode ser conduzida.

Resposta à questão no 2

De um certo modo nós escolhemos a nossa próxima encarnação, por outro lado não. O senso comum nos diz que a lei da justiça não nos permite escolher qualquer vida prazerosa que desejemos. Por outro lado, ninguém mais escolhe a próxima experiência para nós. 

O Sr. Crosbie acrescenta, "A entrada no nascimento para um ego, em conjunto com as condições conectadas com aquele nascimento, são predeterminadas pelos méritos ou deméritos do indivíduo nas suas vidas passadas. O ego não pode entrar na nova vida até que certas condições que encontrem suas necessidades seja estabelecidas." O Carma individual determina que em cada nova vida certas experiências necessitem ser vividas e certas lições aprendidas. Quando estas condições de raça, família, circunstância e período estão prontas, o Ego "mergulha" na encarnação e uma nova vida se inicia.

O Sr. Crosbie acrescenta:

A personalidade em qualquer vida é um aspecto temporário e uma ação da Individualidade, e difere, em cada nova vida, no ambiente e nas mudanças que foram trazidas das existências prévias --- no caráter, disposição e compreensão; estas podem produzir na próxima encarnação mudanças nas relações sociais, capacidade mental, natureza do corpo, ambiente físico e até mesmo sexo. A personalidade não reencarna, a Individualidade em cada renascimento projeta uma nova personalidade, qualidades e tendências as quais são desenhadas a partir da soma total de todas as vidas prévias --- não apenas a última. (Ans. to Questions, p.116) Em todos os nossos pensamentos e atos diários nós estamos realizando escolhas que irão determinar as nossas forças, assim como nossas limitações em alguma vida futura. Neste sentido, nós escolhemos esta vida a qual estamos vivendo agora, mas é o nosso Carma que forja a nossa próxima encarnação e nos traz exatamente o que, para nós, é a experiência mais adequada --- exatamente a lição ou as lições as quais precisamos trabalhar para nosso progresso em nossa evolução Espiritual. E a Filosofia indica que o maior progresso tanto em força como em aprendizado é feito quando nós tomamos esta alta posição e aceitamos nosso destino como uma lição temporária, o melhor lugar em que poderíamos estar neste momento.

Resposta à questão no 3

Se nós compreendermos que a reencarnação é uma Lei Universal, começaremos a ver a sua aplicação em todas as direções e todos os aspectos da vida física, mental e emocional. Utilizando o fato que esta lei opera em todos os lugares, e usando-a como parte de nossos equipamentos, nossa visão se expande e muitos dos mistérios da vida começam a se esclarecer. A aplicação da lei em nós mesmos nos mostra que todos estivemos aqui antes, agindo e pensando juntos, desenvolvendo idéias e sistemas que não irão desaparecer para sempre. Nós não voltamos à encarnação de mãos vazias. Nós somos o meio para a reencarnação de idéias, religiões, filosofias, conflitos não resolvidos e sonhos não terminados.

O Sr. Judge afirma a idéia desta maneira no Ocean, p. 119:

Por isso as almas que constituíram as mais antigas civilizações irão retornar e trarão as antigas civilizações com elas, na idéia e na essência, e assim sendo, adicionado ao que outros fizeram para o desenvolvimento da raça humana, em seu caráter e conhecimento, irão produzir um novo e mais elevado estado de civilização. Este novo e melhor desenvolvimento não irá ser decorrente de livros, registros, artes ou mecanismos, porque todos estes aspectos são periodicamente destruídos tanto quanto as evidencias físicas são. Mas com a alma sempre registrando no Manas o conhecimento uma vez adquirido e sempre conduzindo para o completo desenvolvimento de poderes e princípios, a essência do progresso permanece e irá certamente retornar quando o sol brilhar. A aplicação da lei nesta Terra nos ensina que ela é a reencarnação direta de um globo anterior, um lar anterior para a humanidade. Quando aquele globo alcançou o limite da sua utilidade, ele morreu, assim como qualquer entidade morre, enviando suas energias para fora e para assim formar finalmente um novo corpo, a nossa Terra atual. De maneira semelhante, o Sistema Solar no qual a nossa Terra faz parte é o resultado direto --- a reencarnação --- de um sistema solar precedente.

Como a evolução deste planeta é o resultado da atividade e da evolução de algum outro planeta, assim também a atividade ou a evolução coletiva de grandes ou pequenos grupos (comunidades, raças, etc.) os traz de volta com o objetivo de trabalhar o que será explicado na próxima lição como Carma de grupo, Carma Nacional, Carma de Raças, etc. Até mesmo nossos pensamentos e sentimentos individuais reencarnam, formando hábitos, tendências e caráter que habitam nosso pequeno mundo, nossa personalidade. 

Resposta à questão no 4

Para algumas pessoas seria bastante atraente encarnar no mesmo tipo de corpo em que estão agora, mas para muitos uma mudança de alguma tipo seria bem vinda. Infelizmente, ou talvez felizmente, isto é governado por uma lei, e não pelo desejo. Nós encarnamos em uma raça ou sexo em particular porque ajustamos as causas para tal experiência, porque ela nos dará a melhor oportunidade para ver a partir do ponto de vista de um receptor, e para aprender as lições envolvidas. Aparentemente, nós precisamos experimentar algo para verdadeiramente entendê-lo.

O atual ciclo de evolução é chamado Idade de Ferro, e é caracterizado por uma extrema diversidade e individualismo. Nós podemos observar grandes diferenças não apenas de raças, cor e sexo, mas de inteligência, capacidade, percepção moral, riqueza, saúde, etc. O objetivo disto é nos proporcionar a maior amplitude possível de experiências e desafios, no esforço contínuo da alma em trazer a harmonia a partir da desunião, ou pelo menos ver a unidade fundamental por trás das aparências. E a menos que exista um reconhecimento da realidade e supremacia da Alma, isto não pode ser alcançado. A Alma por si mesmo não tem raça, cor ou sexo.

Cada raça, cor e sexo é usualmente caracterizada por tendências dominantes, modos de pensar predominantes e pontos de vista individuais. Coletivamente nós chamamos isso de cultura, e enquanto a cultura trabalha em harmonia com outras culturas, o objetivo da evolução está sendo alcançado. Somente quando estas culturas começam a operar com uma atitude de superioridade é que o propósito desta manifestação de variedade é retido em sua evolução.

Cada Ego é atraído a uma raça, cor, sexo, família e situações de acordo com os seus atos, pensamentos e tendências nas suas vidas anteriores. Estas condições o trazem à situação a qual ele pode melhor aprender as lições que estão no seu caminho para o seu progresso. É aqui que ele pode melhor resolver as diferenças de longa data e formar amizades de longa duração. Estas tendências podem exercer influência durante várias vidas ou podem ser exauridas mais rapidamente. Depende de quão disposto está o indivíduo em trabalhar sobre si mesmo.

Novamente, a Alma não tem raça, cor, sexo, e nenhuma destas características é melhor que qualquer outra. As que temos agora são as melhores no momento para nós, ou não estaríamos aqui. Nós todos encarnamos em todos os tipos de raça e cor, e fomos homens e mulheres, ao longo dos tempos. De qualquer modo, nós podemos viver como intolerantes ou como Deuses que realmente somos. 

Resposta à questão no 5

É verdade que alguns dos escritos ancestrais parecem ensinar que a encarnação de um homem em um animal ou formas de insetos é possível, como forma de punição por certos atos. Mas a Teosofia, e os verdadeiros ensinamentos Orientais mostram claramente a impossibilidade de isso ocorrer. Quando nós iniciamos o estudo da evolução humana podemos ver e compreender que o homem é, foi, e sempre será homem, o "Peregrino" divino e auto-consciente que tem vivido e trabalhado através de muitas formas. Estas formas, contudo, são sempre as melhores, mais elevadas que a Natureza pode produzir. Nós as chamamos formas humanas, e embora o homem possa degenerar de várias maneiras, ele é impedido de entrar em formas que são domínios de outros reinos.

Há, entretanto, bases naturais para este mal entendido, um erro que tem sido mantido por feiticeiros e falsos pastores, para propósitos egoístas. A substância dos nossos instrumentos físicos periodicamente passa pelo ciclo de regeneração, indo pelos reinos inferiores. Nós temos consciência da reciclagem de toda a natureza, e, neste processo, uma grande parte da natureza física ou animal que utilizamos se vai com as partículas físicas para outros reinos, influenciando poderosamente a sua evolução para o bem ou para o mal --- e finalmente retornando a nós com todo o treinamento e as tendências que demos a elas. Neste sentido, nossa influência, nossos pensamentos, sentimentos e ações vão para o reino animal --- e em todos os reinos da natureza --- e através da lei do Carma, voltam a nós na forma de um novo veículo, um novo corpo "animal", uma nova "natureza" pessoal.

Uma vez que o homem tenha "espiritualizado" completamente seus veículos inferiores e não é mais como o resto de nós, metade humano e metade divino, mas totalmente divino, então ele se torna um salvador e um professor dos homens, alguém cujas memórias permanecem ininterruptas e impassíveis de escurecimento pelas descidas periódicas dos seus princípios aos reinos inferiores. Eles se tornaram purificados e permanecem no nível humano.

Resposta à questão no 6

As correspondências óbvias, é claro, são aquelas do dia e da noite, as estações do ano. Mas é interessante e produtivo tentar aplicar estes casos óbvios em outras situações, como olhar as várias estações, Primavera, Verão, Outono e Inverno em cada dia ou em uma era, na vida de um indivíduo ou na vida de uma idéia, de uma ideologia. Se olharmos, poderemos reconhecer as estações em um sentimento. Não podemos ver as estações em nossos sentimentos por alguma posse, um carro ou uma peça de roupa? Sentimentos morrem cedo ou tarde, mas eles usualmente encarnam de novo e nós imaginamos de onde vêm. Não podemos dizer o mesmo de epidemias, crenças e religiões? Não estamos sempre vendo estas voltarem para nós sob diferentes nomes e diferentes formas?

Vários historiadores perceberam a estreita similaridade entre a antiga civilização Romana e algumas de nossas cidades modernas. O Sr. Judge sugeriu que muitos habitantes nos Estados Unidos são habitantes reencarnados de Atlântida, trazendo consigo muito da cultura e dos problemas daquela civilização. Outros identificaram sinais dos antigos Egípcios em nossos "prédios" modernos. 

Na Natureza podemos notar evidências de reencarnação em vários lugares. A vida de uma planta parece partir para outro plano durante o Inverno e então retorna para tomar um novo lar na Primavera. A vida e a inteligência no animal não reencarna individualmente, como ocorre conosco, mas ela retorna na forma de uma inteligência do reino, o conhecimento e o instinto do seu estágio particular de desenvolvimento. Até mesmo as células do corpo têm um ciclo de atividade, descanso e retorno.

A Teosofia ensina que as células são as formas tomadas pelas inteligências interiores, inteligências que não morrem. 

Como pode-se perceber, a lista pode aumentar indefinidamente, e a sugestão que fica é que o estudante pode ter bastante ganho se tentar ver estas leis, Reencarnação e Carma, em cada fase da vida manifesta. H.P. Blavatsky dizia que a analogia "é a lei orientadora da Natureza, a única e verdadeira linha de Ariadne que nos guia, através dos caminhos inseparáveis do seu domínio, em direção aos mistérios originais e finais." Doutrina Secreta II, p.153.

Há mais um ciclo de reencarnação que é de grande importância para a humanidade. É o ciclo de Avatars, o ciclo que periodicamente traz de volta os Grandes Mestres, Mahatmas, Adeptos que de boa vontade retornam a encarnação com o propósito de nos lembrar da nossa herança divina, das leis eternas da vida sob as quais nós devemos viver, e do destino divino de toda a Humanidade. Vários grandes ciclos culminaram ao redor do ano de 1875 quando as antigas verdades a respeito da vida e do homem foram novamente apresentadas para o mundo, na forma dos Ensinamentos Originais da Teosofia.

Resposta à questão no 7

Há diferenças e semelhanças. A principal diferença é que a encarnação dos Mestres é totalmente voluntária. Eles já adquiriram o direito de descansar e desfrutar do Nirvana. O que Os torna verdadeiros "Irmãos mais velhos" é o fato que Eles abdicam disso e permanecem com a humanidade de modo a ajudar e a guiar de todos os modos que Eles podem. Outra diferença surge do fato que desde Eles purificaram ou Espiritualizaram Seus instrumentos físicos em tal nível que a Sua presença poderia até mesmo causar medo ou adoração cega nas pessoas, causando a impossibilidade de receber o apoio Deles que, de outro modo, seria recebido. Devido a isso é que Eles têm a prática de encarnar em "corpos da raça", um veículo compatível com os nossos modos de pensar e comunicar. É um isolamento inteiramente benéfico para aqueles que Eles objetivam ajudar. 

Isto não significa que Eles não seguem a mesma lei que os outros. Não há nada sobrenatural nisto. O fato da encarnação dos Grandes Seres é um trabalho perfeito da lei, um perfeito progresso da evolução. É através da vida de acordo com a lei que Eles se alcançaram a posição que Os permite ser da maior ajuda para a humanidade.

Os Grandes Mestres reencarnam para ajudar --- para nos ensinar a lei.

A grande missão de Buda era "Fazer com que eles ouçam a Lei." Eles vêm nos ajudar a aumentar a nossa percepção que a maior de todas as ciências, a maior lei de todas é na verdade a compaixão, a ajuda a outras pessoas, a consideração consciente da totalidade da vida. Eles tentam nos demonstrar que, a ajuda a outras pessoas e o recebimento da ajuda não é apenas o modo Espiritual de vida, mas é o melhor modo prático de viver neste mundo de individualidade aparente. H.P. Blavatsky afirmou na sua obra Key to Theosophy, p. 203, "Na verdade, não existe tal coisa como ‘individualidade’; e a abordagem mais próxima deste estado egoísta, o qual a lei permite, é a intenção ou o motivo."

Embora Eles tenham adquirido o direito de escolher quando vir, Eles estão sempre dispostos o suficiente para vir nos melhor momento do ciclo, para "navegar conforme a maré." Eles vêm naqueles que conhecemos como períodos de transição, quando as pessoas de raças e nações começam a questionar suas próprias crenças e padrões, começam a buscar algo melhor, ou buscar ajuda. São nestes períodos, quando as mentes estão abertas, que os Mestres encarnam e renovam Seu esforço em guiar e encorajar aqueles que buscam a verdade e estão dispostos a aceitá-la. Mas novamente, isto está de acordo com a Lei. Está no coração da Lei.

Resposta à questão no 8

Ao longo das descobertas arqueológicas, torna-se cada vez mais duvidoso que a população da Terra na verdade cresça a longo prazo. As estatísticas não alcançam longe o suficiente na história para nos dar um quadro adequado da população em tempos remotos, nem em áreas remotas. 

A Teosofia afirma, com evidências, a existência de vastas populações em partes do mundo que agora são desertos ou, por outras razões, desabitadas. Partes da Ásia Central, África, Austrália, Oriente Médio, América do Norte e do Sul oferecem evidências de populações abundantes e civilizações evoluídas, muito antes dos nossos registros históricos. 

Mas aqui há um ponto colocado pela Teosofia que é mais significativo que isso. Existe um número padrão de Almas conectadas com esta Terra, mas apenas uma certa proporção delas está encarnada em um determinado momento. Em algumas eras o número de encarnações pode aumentar, em outras diminuir.

O Sr. Crosbie acrescenta esta interessante nota, "Tem sido afirmado que enquanto o número de egos reencarnados conectados com a Terra é bastante grande, na verdade este número é limitado, e assim não havendo aumento do número de egos desde o ponto médio dos sete círculos. Ademais, como aqueles egos tem um papel importante na formação da terra, não deve haver dúvida que ela irá acomodar em períodos adequados todos os egos conectados a ela." Answers to Questions, p. 126.

Resposta à questão no 9

Conforme nós iniciamos o estudo de nossas vidas e do mundo ao nosso redor a partir do vantajoso ponto de vista da Reencarnação, podemos ver que pela lógica, consistência, profundidade filosófica, compaixão divina e equidade, esta doutrina não tem igual na história do pensamento humano.

Procurando responder porque tanta ênfase é colocada nas doutrinas da Reencarnação e do Carma, o Sr. Judge afirma:

Não é a toa que estas doutrinas são facilmente compreendidas e trazem benefícios para os indivíduos, não apenas porque elas dão guarnecimento, e elas necessariamente dão, e uma sólida base ética para toda a conduta humana, mas também porque elas são as linhas mestras da alta evolução do homem. Sem o Carma e a Reencarnação a evolução é apenas um fragmento, um processo cujo início é desconhecido, e cujo resultado não pode ser discernido. É um relance do que poderia ter sido, uma esperança do que poderia ser. Mas à luz do Carma e da Reencarnação a evolução se torna a lógica do que deve ser. As ligações na cadeia da existência são todas preenchidas, e os círculos da razão e da vida são completados. O Carma nos dá a eterna lei da ação e a Reencarnação oferece o campo infinito para a sua aplicação. Milhares de pessoas podem entender estes dois princípios, aplicá-los como base de conduta, e tecê-los para formar o tecido das suas vidas, as quais podem não ser capazes de compreender a síntese completa da evolução sem fim, a qual estas doutrinas formam uma parte tão importante. (Artigo, "Synthesis of Occult Science") E na mesma direção H.P. Blavatsky afirmou: Se a Teosofia prevalecer nesta batalha, e a sua filosofia que a tudo abraça, profundamente enraizada nas mentes e corações dos homens, se as suas doutrinas da Reencarnação e do Carma, em outras palavras, Esperança e Responsabilidade, encontrarem um lar nas vidas das novas gerações, então, de fato, irá nascer o dia de alegria e felicidade para todos aqueles que hoje sofrem e são proscritos. Na verdade a Teosofia é o ALTRUÍSMO, e nunca será demais dizer isso. Ela é o amor fraterno, a ajuda mútua, a devoção imutável à verdade. Se algum dia os homens perceberem que apenas nestes princípios a felicidade verdadeira pode ser encontrada, e nunca na riqueza material, nas posses ou em qualquer gratificação egoísta, então as nuvens escuras irão embora, e uma nova humanidade irá nascer sobre a terra. Então, a IDADE DE OURO virá, com certeza (Artigo, "Our Cycle and the Next")
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Módulo 2

A DOUTRINA DO CARMA

Conforme mencionado no tópico anterior, a doutrina gêmea da Reencarnação é o Carma, e como a Reencarnação, esta é uma LEI, universal, inquebrável, e eterna.

Nas palavras de Robert Crosbie:

Nós temos que assumir que este é um universo de leis ou um universo de caos, acaso, acidente. Na verdade, nós sabemos perfeitamente que este não é um universo de acaso, porque tudo que vivemos e sabemos está sujeito a alguma lei, e quando alguma coisa nos ocorre, e a causa disso não podemos ver, apesar disso nós assumimos haver uma causa e buscamos encontrá-la. Nós não podemos nem mesmo imaginar um efeito sem uma causa. (Friendly Philosopher, p.225) O modo o qual esta lei nos afeta é através da lei da ação e reação, e uma das afirmações mais familiares disso vem de São Paulo, quando ele disse, "Tudo aquilo que um homem semear, ele deverá colher." Em Lucas nós encontramos outra afirmação, "É pela mesma medida que medes que tu serás medido." Na verdade, afirmações da lei do Carma são encontradas em ensinamentos de todos os grandes mestres ao longo da história. Buda afirmou na abertura do Dhammapada, "Tudo o que você é resulta dos seus pensamentos."

A Teosofia tem muito a dizer sobre esta lei mais importante, oferecendo insights para significados mais profundos e indicando efeitos da sua aplicação em numerosas situações. Muitas das chaves para compreender esta idéia básica se encontram no "The Aphorisms on Carma." Estes aforismos foram primeiramente publicados por W. Q. Judge em 1893, e iremos citá-los a partir dele ao longo deste tópico. O Af. 1 afirma, "Não há Carma a menos que exista um ser para realizá-lo ou sentir seus efeitos." O Af. 2 expõe, "O Carma é um ajustamento dos efeitos fluindo das causas, durante o qual o ser, sobre este e através deste ajustamento, experimenta a dor ou o prazer." O Af. 3 coloca, "O Carma é uma tendência sem desvios e sem erros do Universo para restaurar o equilíbrio, e ele opera incessantemente." Em outra parte dos ensinamentos ele é descrito como uma tendência para restaurar o equilíbrio no mundo físico e a harmonia quebrada no mundo moral. É a lei beneficente da ética causal que nos permite ver nossos pensamentos e ações como parecem aos outros, nos permite sentir o efeito completo da sua repercussão."

Nós devemos entender que as ações não se produzem por si mesmas, que o Carma não origina nada. Nós, "escolhedores", montamos as causas e o Carma nos traz os efeitos dessas escolhas. Somos nós quem devemos sentir seus efeitos. 

Como afirma o Sr. Judge:

O efeito é apenas a natureza do ato e não pode existir distinto da sua causa. O Carma apenas produz a manifestação do que já existe; sendo uma ação, ele tem sua operação no tempo, e o Carma pode deste modo ser dito como sendo a mesma ação sob outro ponto no tempo. Além disso, deve estar evidente que existe não apenas uma relação entre causa e efeito, mas deve haver também uma relação entre a causa e o indivíduo que experimenta os seus efeitos. (Artigo, "Carma") As idéias que mantemos sobre a nossa própria natureza, sobre Deus, sobre as leis e sobre a Natureza determinam nossas ações e as causas que colocamos em movimento. Elas estão posicionadas profundamente dentro de nós, e conforme elas vêm à superfície, influenciam cada ato e cada escolha que fazemos. Para compreender o Carma nós devemos entender que esta Lei não é algo que se encontra fora de nós, mas é inerente à nossa mais alta natureza. De um ponto de vista ela é a voz sempre presente dentro de nós que clama por justiça. Isto é o Carma.

POR QUE, ENTÃO, VEMOS INJUSTIÇA EM TODOS OS LUGARES?

Sob a lei do Carma não pode haver injustiça. O que vemos como injustiça assim nos parece porque somos incapazes de ver o quadro todo, as causas que produziram os efeitos que vemos, ou os efeitos que ainda estão por vir das causas que agora observamos. No seu livro The Epitome of Theosophy, o Sr. Judge afirma na página 30:

A existência do mal, do sofrimento e da tristeza é um quebra cabeça sem esperança para os filantropos e teologistas superficiais. 

As desigualdades nas condições sociais e nos privilégios, em inteligência e estupidez, cultura e ignorância, virtude e maldade; o surgimento dos gênios em famílias destituídas deles, assim como outros fatos em conflito com a lei da hereditariedade; ... todos esses problemas solúveis apenas ou pela teoria do capricho Divino ou pelas doutrinas do Carma e da Reencarnação.

Quando vemos, e com freqüência isso ocorre, um bom homem sofrendo uma grande provação na vida, isso se deve a uma vida prévia na qual este homem fez coisas que agora requerem ajustamentos. Citando o Sr. Judge de novo, "E similarmente, o homem mal que é livre de sofrimentos, feliz e próspero, assim o é porque em uma existência prévia ele foi maltratado pelos seus companheiros ou teve experiências de grande sofrimento."

Mas cometeríamos um grande erro se olhássemos o Carma apenas como recompensa ou punição.

O trabalho da lei é da mais perfeita justiça, uma vez que nos traz, cedo ou tarde, exatamente o que merecemos, exatamente o que enviamos durante nossa vida. Mas vai além disso, no sentido em que nos traz aquelas experiências, situações e encontros que são os melhores para nosso aprendizado e nosso avanço Espiritual contínuo em direção à evolução. Se pudermos ver o Carma sob essa luz, ele será uma lei muito benéfica, nosso melhor amigo.

Tem sido mencionado que os Mestres da Sabedoria são o Carma, uma vez que Eles atingiram a condição na qual manifestam esta harmonia e justiça interior em tudo o que fazem. E ainda, Eles não apenas permanecem sentados e deixam a lei fazer o seu trabalho de retribuição e recompensa. Suas vidas inteiras são dedicadas a ajudar a humanidade, ainda que não interferindo com a lei (Há uma verdade divina aqui que será mais debatida adiante.) No Bhagavad-Gita, Krishna, o Grande Mestre, afirma, "Eu produzo a mim mesmo entre as criaturas, Ó filho de Bharata, quando quer que haja um declínio da virtude e uma insurreição do vício e da injustiça no mundo; E assim eu encarno, de era em era, para a preservação dos justos, a destruição do mal, e o estabelecimento do equilíbrio."

CARMA É O MESMO QUE DESTINO?

Isto, sem dúvida, traz a questão do homem realmente ter ou não vontade própria. Mas para encontrar uma resposta a esta questão ancestral, nós temos em primeiro lugar que descartar a idéia de que ela deve ser "sim" ou "não", isto é, que deve ser apenas uma ou outra opção. A Teosofia diz que na verdade a resposta deve ser sim e não. Sob a lei do Carma, nós estamos sujeitos tanto ao destino quanto à vontade própria. Cada ato que fizemos no passado nos "destinou" a receber seus efeitos em algum momento. Isto é de fato destino; mas é um destino que nós mesmos fizemos e foi nossa livre escolha. Nós estamos constantemente realizando escolhas, uma vez que o homem é basicamente um "escolhedor". E assim nós estamos constantemente "destinando" nós mesmos a sentir os efeitos dessas escolhas.

No outro lado do quadro, nós temos sempre a escolha de como iremos encontrar nosso Carma. Nós podemos reenviá-lo e culpar outra pessoa ou outra coisa por isso, podemos tentar evitá-lo na tentativa que ele passe, ou podemos aceitá-lo como algo que nós criamos e assim aprendermos a mais valiosa lição. Em todo momento nós estamos em posição de escolher, mesmo que seja uma pequena escolha, de como recebê-lo e o que fazer depois

Estejamos ou não conscientes do Carma, nós temos uma interdependência com todos os outros seres, ou "vidas" que nos oferecem os instrumentos; corpos, cérebros, etc. Nós dependemos deles para todos os nossos contatos com a vida neste plano; consequentemente, eles dependem de nós para a sua evolução adiante. O modo como nós os tratamos cria nossas próprias limitações ou constrói valiosos aliados para o avanço mútuo. Nós criamos aquelas condições as quais estamos destinados a encarnar --- os lugares, as associações, assim como as várias capacidades. Um hábito nos pré-destina até que tomemos o controle e re-destinemos o hábito. 

Mesmo quando parecemos estar desesperadamente ligados a algum destino, nós ainda podemos exercer nosso poder de escolha e iniciar um curso que irá nos tirar desta situação insolúvel. 

Sobre isto, o Sr. Crosbie afirma: (Friendly Philosopher, p.227)

Se não gostamos do "destino" que recai sobre nós, os efeitos que nos rodeiam, as condições que nos atingem, tudo o que devemos fazer é colocar em movimento as causas que produzirão os efeitos mais desejáveis. Mas nós devemos fazê-lo; ninguém mais pode fazer isso por nós. Ninguém nos prende. Ninguém nos propele à frente... Cada um de nós possui dentro de si as mesmas possibilidades que existem em qualquer lugar, a qualquer momento no universo. Nós devemos ver que mesmo agora, por mais atrapalhados que possamos estar pelas nossas ações do passado, nós não perdemos e nunca iremos perder nossos poderes em ajustar outras causas melhores em movimento. AS RAÇAS E NAÇÕES TÊM O SEU PRÓPRIO CARMA?

O Carma de qualquer raça ou nação é o resultado direto dos pensamentos e atos dos Egos que as formam. Observadas a partir do ponto de vista da interdependência humana, nós devemos ver que a soma do Carma individual se torna o Carma da nação a qual aqueles indivíduos pertencem, e, ademais, a soma do Carma das nações se torna o Carma do mundo. As características que sobrevivem formam a "personalidade" de uma raça ou nação, e podem ser rastreadas às idéias e ideologias que formam a base do pensamento e da ação --- idéias freqüentemente não questionadas e "patrioticamente" defendidas.

O aforismo 29 afirma, "O Carma da raça influencia cada unidade dentro da raça através da lei da Distribuição. O Carma nacional opera sobre os membros de uma nação pela mesma lei, mais concentrada."

O Sr. Judge explica além em seu artigo, "Carma."

É realmente a lei da economia a qual é a verdade fundamental destes termos e a qual os explica. Tome como exemplo uma nação com certas características especiais. Estas são o plano de expansão para qualquer entidade cujo grande número de afinidades estão em harmonia com aquelas características. A entidade que chega, seguindo a lei da menor resistência, se torna encarnada naquela nação, e todos os efeitos Cármicos seguindo tais características irão crescer no indivíduo. No Ocean of Theosophy, o Sr. Judge afirma que a massa total de Egos irá encarnar e reencarnar junta em uma nação ou raça em particular até que tenham sido trabalhadas as causas que tenham sido colocadas em movimento. A raça ou nação em particular pode, por si só, encarnar sob diferentes nomes e em diferentes localidades, mas a lei dita que os Egos devem trabalhar em conjunto para esclarecer as suas obrigações mútuas, ou melhor, as incompreensões mútuas. 

H.P. Blavatsky nos oferece outro insight sobre o tema (Theos. Magazine, Vol 62, p.244)

É uma lei do ocultismo, além disso, que nenhum homem possa ser superior às suas falhas individuais, sem elevar, por menor que seja o grau, o corpo completo do qual ele é parte integral. Do mesmo modo, ninguém pode pecar ou sofrer os efeitos de ter pecado sozinho. Na realidade, não existe tal coisa chamada "individualidade"; a mais próxima abordagem deste estado egoísta, a qual a lei da vida permite, é a intenção ou o movimento. QUANDO NOSSO CARMA PASSADO SE FAZ PRESENTE?

O Sr. Judge introduz o ponto que, "...Carma é a continuação de um ato, e para qualquer linha particular do Carma possa ser exercida, é necessário que haja a base do ato originando aquele Carma, no qual ele possa transmitir-se e operar." Os aforismos 14 e 15 afirmam, "Na vida dos mundos, raças, nações e indivíduos, o Carma não pode agir a menos que um instrumento apropriado seja fornecido para a sua ação. E até que esse instrumento apropriado seja encontrado, aquele Carma relacionado a ele permanece não despendido."

O aforismo 16 afirma, "Enquanto um homem está vivendo o Carma no instrumento oferecido, um outro Carma não despendido permanece não exaurido por outros meios ou seres, mas é guardado para operação futura; e o lapso de tempo no qual a operação daquele Carma não é sentida não causa deteriorações na sua força e natureza." O Carma pode ter sido criado, no sentido que a sua causa ter ido embora e seu efeito sentido por outros, mas em um momento em particular nós podemos não estar em posição de lidar adequadamente com ele. Uma razão para isso é que um outro Carma pode estar operando tão fortemente que o aquele Carma segurará a sua ação no aguardo para ser ativado em um outro momento. A Lei não é apenas justa, mas é benéfica no sentido que ela oferece a reação Cármica quando o Ego está na melhor posição possível para aprender sobre o retorno das suas ações.

Os aforismos 17 e 18 afirmam, "A adequação de um instrumento para a operação do Carma consiste na conexão e relação exata com o corpo, mente, natureza física e intelectual adquiridos para o uso pelo Ego em qualquer vida. Cada instrumento utilizado por cada Ego em qualquer vida é apropriado para o Carma operando sobre ele." 

O aforismo 22 afirma, "O Carma pode ser de três tipos: (a) Presentemente operante nesta vida através dos instrumentos apropriados; (b) aquele que está se constituindo ou armazenado para ser exaurido no futuro; (c) Carma armado em vidas passadas e não operante porque está inibido pela inadequação do instrumento em uso pelo Ego, ou por força do Carma atualmente em operação."

No aforismo 19 nós podemos ver, "Mudanças podem ocorrer no instrumento durante uma vida, de modo a torná-lo apropriado a uma nova classe da Carma, e isto pode ocorrer de duas maneiras: (a) através da intensidade de pensamento e pelo poder do voto, e (b) por alterações naturais devidas a exaustão completa das causas antigas." Isto pode explicar casos nos quais indivíduos têm reversões repentinas da sorte ou mudanças para melhor em circunstâncias internas ou externas. Apesar do antigo Carma precisar ser trabalhado e não ser passível de interrupção até que siga seu curso normal, é inteligente de nossa parte pensar e agir nas condições presentes, não importa quais sejam, de modo a produzir causas boas ou não prejudiciais para nosso próximo renascimento ou até mesmo para os anos que virão nesta vida.

QUAL PARTE DE NÓS É AFETADA PELO CARMA?

Nós provavelmente iremos concordar que faz sentido que o Carma, bom ou não tão bom, deveria nos afetar naquela parte de nossa natureza a qual gastamos a maior parte do nosso tempo. O Carma não pode nos afetar onde nós não estamos. Ele permanece suspenso até que estejamos em posição compatível com a natureza da causa. O Carma não muda --- nós somos variáveis.

O Sr. Judge explica:

A ação tem muitos planos os quais ela pode ser inerente. Há o plano físico, o corpo com os sentidos e os órgãos; ainda há o plano intelectual, a memória, a qual ata as impressões dos sentidos em um todo consecutivo e o raciocínio faz o arranjo ordenado dos fatos armazenados. Além do plano intelectual, há o plano das emoções, o plano da preferência por um objeto em detrimento a outro: o quarto princípio do homem. Estes três, físico, intelectual e emocional, lidam exclusivamente com o objeto do sentido da percepção e podem ser chamados os grandes campos de batalha do Carma. Há também o plano da ética, o plano da discriminação do ‘eu devo fazer isso, eu não devo fazer aquilo’. Este plano harmoniza o intelecto e as emoções. Todos esses são planos do Carma ou da ação: o que fazer, e o que não fazer. É a mente como base dos desejos que inicia as ações nos vários planos, e é apenas através da mente que os efeitos do descanso e da ação podem ser recebidos. (Artigo, "Karma") Dependendo da nossa compreensão da natureza completa do homem e do objetivo da vida, nós gastamos a maior porção da nossa energia de uma vida em um ou mais dos planos citados acima --- físico, mental, emocional ou ético --- e assim armamos o centro de atração que irá trazer o Carma à sua realização neste nível. O Carma deve retornar a nós onde a nossa atenção e a nossa devoção estão. Se não fosse assim, ele seria de pouco valor para a nossa evolução. Em todos os momentos da nossa vida, o Carma irá trazer os resultados desejáveis, e outros nem tanto, das nossas ações passadas, onde nós estivermos mentalmente em um dado momento.

NÓS PODEMOS FAZER ALGO PARA MUDAR NOSSO CARMA?

Nós não podemos mudar nosso Carma. É uma lei absoluta. Mas realizando mudanças em nós mesmos, nós podemos alterar os seus efeitos. O homem sempre tem escolha, e se ele não puder fazer alguma coisa a respeito da sua situação, este seria um mundo sem esperança. Nós sabemos pela nossa experiência que quando os tempos difíceis vêm, nós sempre temos uma escolha em como recebê-los, como reagir a eles. Nós podemos chorar e reclamar ou podemos tirar vantagem da situação e aprender a lição envolvida. No caso de decidirmos sofrer, nós perderemos uma oportunidade de ouro para desenvolver nossa força, e provavelmente enviamos de volta nosso Carma, para que ele venha nos visitar em outro momento. Por outro lado, se conseguirmos nos afastar dos eventos até a extensão em que nós podemos aprender com o que está acontecendo, estaremos vendo este Carma como a conseqüência lógica e de direito da ação que nós mesmos colocamos em movimento.

Estar preso a um plano ou a outro é a raiz do nosso sofrimento. Nós nos permitimos estar presos às coisas da vida que são transitórias e fugazes, e sofremos quando a lei as toma de nós. E voltamos ao aspecto da mente. Nós não podemos nos prender às coisas que não pensamos. Assim, para amenizar a dor daquilo que denominamos um Carma ruim, nós deveríamos ajustar nossos pensamentos naquilo que está por detrás dos efeitos, as causas, os princípios e as lições envolvidas e o trabalho da Lei por si mesma. 

Outra resposta a essa questão é oferecido pelo aforismo 27, no qual há a afirmação, "As medidas tomadas por um Ego para reprimir as tendências, eliminar efeitos e neutralizar através do estabelecimento de causas diferentes irão alterar a influência da tendência Cármica e diminuir seu efeito de acordo com a força ou a fraqueza do esforço despendido na condução das medidas adotadas."

Robert Crosbie, em Answers to Questions, p. 157 afirma:

O único modo que podemos diminuir os efeitos de uma Carma negativo é tomar a atitude correta frente a ele. Quando os bons tempos vêm, nós podemos semear boas causas; quando os tempos difíceis vêm, nós ainda podemos semear boas causas, utilizando a oportunidade para ganhar força, coragem e compreensão sobre a vida. Nós aparentemente estamos sempre tentando evitar um mau Carma, e trazer o bom Carma para nós, sendo que o que deveríamos fazer é tirar proveito de tudo o que vier. Nós não devemos colocar esforço em evitar nada, mas ir direto ao trabalho sobre o que está à nossa frente. Então a alma começa a agir, a vontade começa a agir, e o poder da vontade aumenta. Esta não é apenas a única maneira inteligente de agir, mas o modo mais prático de lidar com o que pensamos ser um Carma ruim.

O QUE CONSTITUI UM CARMA BOM OU RUIM?

A partir do que aprendemos da seção anterior podemos ver que na realidade não existe tal coisa como um Carma ruim ou bom. Tudo o que volta para nós deve ser aquela situação, aquela lição que, para nós, é a situação mais vantajosa em um dado momento. Devido a ele ser uma ação da nossa própria escolha e invenção retornando a nós e nos encarando, ele sempre nos apresenta um problema que gostaríamos de empurrar adiante; mas também ele sempre apresenta uma grande oportunidade e o desafio que melhor se encaixa para nos revelar a vontade e a sabedoria que será necessária para superar este obstáculo "pessoal", que permanece no caminho do nosso progresso. Se não fosse por estas "barreiras" nós nunca teríamos motivo para buscar a força interior que está na raiz do nosso ser. 

O Sr. Crosbie afirma no Friend Philosopher, p.232:

Não é verdade que agora olhamos para trás e sorrimos para todas as coisas "ruins" que já ocorreram em nossa vida? Elas pareciam horríveis naquele momento, mas passaram, e nós podemos perceber que daquelas coisas, alguma coisa boa veio junto, em força e sabedoria. A lei diz que ninguém pode encontrar um obstáculo maior que a sua capacidade de superá-lo; o obstáculo é apenas uma oportunidade para essa pessoa se livrar de algum defeito que agora possui. Freqüentemente as coisas que pior parecem a nós provam ser as mais benéficas.  Nós criamos as situações que nos retornam como os chamados Carmas desagradáveis porque nós nos esquecemos das leis da vida, e das leis da nossa Natureza Interior. Quando nós tomarmos a posição da Alma, o Ego Reencarnado, seremos capazes de tomar uma atitude diferente e mais construtiva em direção a cada evento que nos ocorre; vendo-o não como um obstáculo, mas como um passo, uma escalada daquilo que nos colocará em uma posição mais elevada, com uma visão mais clara e um sentimento de realização interior.

SE NÓS AJUDAMOS ALGUÉM, ESTAMOS INTERFERINDO COM O SEU CARMA?

O aforismo 12 afirma, "As causas Cármicas que já em movimento devem ter livre fluxo até que sejam exauridas, mas isto não permite que nenhum homem se recuse a ajudar seus companheiros e qualquer ser." Isto nos convida a ter um ponto de vista diferente na questão. Nós devemos ver que ajudar e ser ajudado não é uma interferência, mas, ao contrário, significa na verdade a realização da lei. Este é o modo como o homem é esperado a agir, o modo como a evolução Espiritual ocorre. Além disso há a questão de termos ou não o poder de interferir com o Carma. É uma lei universal e imutável. 

Na vida nós não estamos nunca inativos, nem estamos verdadeiramente sozinhos. Nós estamos constantemente agindo em algum plano, mesmo que seja apenas no pensamento; e nossas ações são com, através ou sobre os outros seres, de alguma forma. Isto nos coloca com uma sempre presente escolha --- nós ajudamos ou nós atrapalhamos? Nós não podemos agir, não podemos fazer nada na vida sem afetar os outros seres de algum modo pelas nossas ações. A crescente consciência da interdependência de todas as vidas está finalmente trazendo a humanidade a uma consciência da nossa responsabilidade em tratar nosso companheiros como irmãos no mesmo caminho. A "roda da Vida" pode permanecer girando de duas maneiras, para frente pelas ações que ajudam, ou para trás pelas ações que atrapalham. A Lei nos dá a escolha.

O problema é como nós podemos verdadeiramente ajudar outra pessoa? Freqüentemente nós queremos ajudar e tentamos ajudar, mas descobrimos que fizemos mais mal que bem. Aparentemente, precisamos de grande sabedoria para saber como ajudar outra pessoa, e por causa disso somos tentados a desistir do esforço. Mas uma vez que compreendamos um pouco sobre a verdadeira natureza do homem, nós podemos construir algumas regras para orientar nossas ações. Talvez elas pareçam com algo assim: nosso objetivo deve sempre ser ajudar alguém a se ajudar. Nós sempre devemos ajudar aquelas pessoas que não podem se ajudar. E nós nunca devemos fazer o trabalho de alguém, e assim privá-los da experiência que necessitam.

Se nós procurarmos avaliar a ajuda que é oferecida pelos Grandes Mestres, os Mestres da Sabedoria, nós encontraremos que em todos os casos Eles seguem essas diretrizes. Eles nos trazem as Leis fundamentais da vida e nos lembram do fato da nossa eterna e onipotente natureza, assim nos oferecendo os meios e a coragem para ajudar uns aos outros. E além disso Eles nos oferecem sempre a mão estendida, para nos ajudar quando quer que dermos o menor passo em Sua direção, em direção à Fraternidade Universal.

SUGESTÃO DE LEITURAS

Uma das melhores fontes para mais informações sobre o tema Carma é o panfleto "Karma", o qual contém não apenas a lista completa de aforismos sobre Carma, mas 10 artigos adicionais do Sr. Judge sobre diferentes aspectos do tema.

O Ocean of Theosophy irá oferecer os ensinamentos básicos sobre o assunto, e Answers to Questions on the Ocean of Theosophy irá lançar a luz sobre muitas das questões que você possa ter. Como afirmado anteriormente, estes livros são periodicamente usados como base para estudos de nas Noites de Estudo de Quarta-Feira.

Para obter insights interessantes e mais além sobre o trabalho da lei do Carma, você pode se interessar em ler o que H.P. Blavatsky diz a esse respeito em vários pontos do Key to Theosophy. É sempre gratificante ir diretamente aos Ensinamentos originais.

QUESTÕES SOBRE O TÓPICO N.2

1. A teoria da hereditariedade invalida as explicações oferecidas pelas leis do Carma e da Reencarnação? Dê as suas razões.

2. É o nosso Carma que nos faz agir e pensar do modo como fazemos? Por favor explique.

3. Acidentes e milagres são possíveis sob a lei do Carma, ou eles funcionam à margem da lei? Dê algumas razões.

4. Qual é a nossa relação com a Natureza? Nós controlamos a Natureza, ou Ela tem algum controle sobre nós? Explique.

5. Pode haver qualquer injustiça no Carma, desde que nós não lembramos ter realizado as ações que agora estão retornando à nós? Por que, ou por que não?

6. De acordo com lei do Carma você pensa que nós seremos punidos ou recompensados em algum Céu ou Inferno após a morte? Como você chegou à sua conclusão? Qual é a fonte das suas idéias?

7. O Carma tem alguma coisa a ver com a moral? Ele pode ser considerado uma lei moral, ou é puramente mecânico em sua ação? Por favor explique sua resposta.

8. Por que a lei do Carma é considerada uma doutrina gêmea à da Reencarnação? Dê razões.

9. Existem seres acima ou abaixo da lei do Carma? Por favor explique.

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Tradução: Marcelo Pagliarussi (marcelo@nit.ufscar.br)


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