Mito da Criação

 

"Nem Algo nem Nada existiam; o imenso céu brilhante

Não existia, nem acima se estendia a abóbada celeste.

O que cobria o todo? O que protegia? O que escondia?

Era o abismo insondável das águas?

A morte não existia – no entanto, não havia nada imortal,

Não havia limite entre o dia e a noite;

O Um único respirava sem alento por si só;

Além dEle, nunca houve nada.

A Obscuridade existia e no princípio, tudo estava velado

Na obscuridade profunda – um oceano sem luz –

O germe que ainda permanece coberto na casca

Irrompe uma natureza, do calor fervente.


Quem conhece o secreto? Quem o proclamou aqui?

De onde, de onde surgiu esta criação multiforme?

Os próprios Deuses surgiram à vida mais tarde –

Quem sabe de onde procedeu esta grande criação?

Este, de quem proveio esta grande criação,

Se por sua vontade a criou ou por omissão,

O Vidente mais Elevado no céu supremo

O sabe; ou talvez, nem ele o saiba."

 

"Observando na eternidade . . .

Antes de lançados os cimentos da terra,


Tu eras. E quando a chama subterrânea

Irromper de sua prisão, e devorar a forma . . .

Seguirás sendo como sempre foste antes

E não conhecias a mudança, quando o tempo deixar de existir.

Oh, pensamento infinito! Eternidade divina."

 

Da Doutrina Secreta, Volume I, página 25
(do Rig-Veda , x, 129 Colebrooke)